Toda grande marca tem uma “bula”

18 de janeiro de 2012: de forma singela a DC Comics mostra ou até mesmo deixa vazar sua nova marca. A novidade logo se replica em vários sites de quadrinhos, branding e comunicação. Burburinho, muitas reclamações e “dislikes” fazem parte dos próximos dias da editora na rede.

23 de janeiro de 2012: a Landor Associates, empresa responsável pela nova marca, se pronuncia e revela o projeto como um todo. Logo a onda crescente de desgosto é domada e as opiniões começam a mudar.

Mágica??? Não! Claro que não!

No dia 18 as pessoas viram a marca em sua versão mais simples e crua. No dia 23 ela se mostrou em suas aplicações e tenho certeza que dificilmente veremos a marca PB novamente por aí.

Os mais puristas com certeza dirão que uma marca deve transmitir sua mensagem mesmo no meio mais simples de reprodução. Concordo, mas também concordo com centenas de pesquisas e estudos de comportamento que revelam que o consumidor está cada vez mais complexo e segmentado. Atingir este (e os próximos) consumidores está se tornando cada vez mais difícil. Tão difícil que talvez as novas marcas já devam nascer multimídia. E este caráter multifacetado da marca só se revela nas suas aplicações, por isso a importância na elaboração da “bula” de toda nova marca criada: o M.I.V. ou Manual de Identidade Visual.

É neste manual que se torna palpável todo o raciocínio e conceitos aplicados no processo de criação de um logotipo. No caso da DC Comics todo fã da editora viu a nova marca inserida no universo de seu personagem favorito, aliás, esta é uma das grandes sacadas da nova marca, já que a DC Comics deve vender todo mês uma galeria de “produtos”, como Batman, Super Homem, Mulher Maravilha e muitos outros personagens.

Foi também através das aplicações que se vislumbra de forma mais clara tanto uma página virada quanto uma capa balançando ao vento no simples movimento do “D” se desdobrando sobre o “C”.

Nicolas Aparicio, diretor executivo de criação da Landor Associates/ San Francisco, diz que a nova identidade é “dinâmica e provocadora” e forma uma “expressão viva que muda e se adapta para os personagens e histórias, criando novas formas para os fãs consumirem conteúdo da editora.”

“A nova identidade é construída para a era digital,
e pode facilmente ser animada e personalizada para aproveitar ao máximo a interatividade oferecida em todas as plataformas de mídia.”

Nicolas Aparicio

Como se percebe tudo é o resultado de um amplo trabalho, que não se limitou a mudar por mudar a marca. Trata-se de uma nova interpretação de mundo, onde muitas variáveis estão em constante conflito, tanto editorial e financeiro quanto na opinião e percepção de seus consumidores. E no meio deste turbilhão todo a nova marca deve se posicionar e prosperar.

Sobre Mauricio Andreoli

Ex-goleiro, ex-solteiro convicto, um Diretor de Arte que precisa voltar a desenhar e um cozinheiro que precisa emagrecer. Enfim... um cara normal que tem alguns amigos, muitos conhecidos e nenhum inimigo. Já é uma vantagem!

Publicado em 6 de abril de 2012, em Trampo e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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