Os Vingadores: o ato final da ousadia da Marvel/Disney.

Esperei pouco mais de 2 semanas após a estréia para ver o filme dos Vingadores. Queria fugir do atrolho nos cinemas em filmes deste porte, mas também queria ler as impressões de quem viu o filme. E rolou de tudo: desde gente falando que é o filme definitivo sobre super-heróis, outros dizendo que o mundo é dos nerds até gente comentando que faltou se aprofundar mais no psicológico dos personagens, apelando para o já batido ” faltou ousadia”.

Vale lembrar que este filme não teve uma trajetória padrão. Ele é o ápice de um planejamento que começou lá atrás com Homem de Ferro 1, e o Incrível Hulk, ambos de 2008 , passou por Homem de Ferro 2 em 2010, Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador em 2011. Me lembro de discussões em fóruns e matérias na época falando que desta sequência os 2 filmes que os executivos da Marvel e da Disney consideravam mais problemáticos  seriam o do Hulk, por causa do fracasso do filme anterior de Ang Lee, e do Capitão América, pelo patriotismo ufanista e óbvia rejeição que alguém usando a bandeira dos EUA teria hoje no mundo. A preocupação com Hulk era tanta que foi o único filme da série a ter um astro de primeira grandeza para o papel principal (Edward Norton), lembrando que Robert Downey Jr. não conta, pois foi retirado do ostracismo com o papel de Tony Stark (álias, hoje o ator mais bem pago da franquia, pois seu contrato em Homem de Ferro não era alto inicialmente, mas previa participação nos lucros futuros da série onde seu personagem aparecesse).

Esta sequência de filmes-solo preparou o terreno e aliviou o roteiro de Os Vingadores da necessidade de apresentar personagens sobrando todo o tempo do mundo para trabalhar o real motivo que levaria tais heróis a se juntarem. E ao contrário do que li por ai existe sim um aprofundamento em cada personagem. São detalhes tênues, mas que mostram isso. Achei genial o jeito manso e controlado das falas do Dr. Bruce Banner, as vezes até meio inaudível para mostrar mais adiante que ele aceitou seu alter ego (ou como ele prefere dizer “o outro cara”) e aprendeu a controlar melhor suas aparições estando sempre com raiva mas mantendo um nível de auto-controle (no final do filme do Hulk vemos o Dr. Bruce Banner de Edward Norton forçando uma transformação com um leve sorriso, demonstrando que ele já procurava este controle). Vemos também uma evolução em Thor onde ele continua arrogante, mas assume o seu papel de protetor da Terra, um planeta que a príncipio ele não julgava merecedor sequer de sua atenção (a frase “- A Terra está sob a minha proteção!” já foi dita várias vezes nos quadrinhos). Tony Stark experimentou o remorso e aprende a lidar com as responsabilidades que Nick Fury sempre falou que ele deveria encarar. E finalmente temos o Capitão América, que tanto nos quadrinhos quanto no filme se mostra deslocado e com valores até antiquados, só se sentindo realmente útil quando está ao lado dos Vingadores e esta aceitação é vista no filme no ínicio da batalha final, quando ele toma as rédeas da equipe e, até mesmo, de seu lugar no mundo pós-descongelamento. Como eu disse são detalhes, mas estão lá para ajudar a evoluir cada personagem.

Álias, não se deve esperar algo muito denso e psicológico em uma história que envolva uma batalha interplanetária. Não há a necessidade de se conhecer a fundo a motivação do exército invasor e acho demagogia quem critica o filme por este viés. A história é bem amarrada (mesmo tendo os clichês já previstos) e conduzida, dando espaço para todos terem seus 15 minutos de fama, além de muitas referências do Universo Marvel devidamente encaixadas.

O filme mostra o que realmente queremos ver de super-heróis com armaduras, martelos indestrutíveis e poderes sobre humanos: pancadaria em alto nível, feitos impossíveis, destruição… muita destruição e acima de tudo o confronto com um vilão poderoso e respeitável. Todo mundo sempre esperou isso nos filmes do Super Homem, mas a DC insiste em colocar ele as voltas com Lex Luthor e um bando de capangas humanos que não condizem com seu poder.

Neste sentido Os Vingadores é impecável, mostrando tudo o que poderia acontecer em Nova York se estes super-seres realmente existissem e resolvessem tirar as caras e sair no braço (um site avaliou a destruição mostrada no filme em 224 bilhões de dólares).

Além de grandioso, divertido e convincente na sua proposta de fechar este ciclo, especialmente para mim, o filme funcionou como uma Máquina do Tempo, pois algumas cenas tiveram o poder de relembrar capas e páginas e me levaram de volta aos meus 14/17 anos onde eu comprava o gibi “Heróis da TV” ainda no formatinho de bolso e lia ele onde estivesse mesmo, as vezes bem antes de chegar em casa.

Sobre Mauricio Andreoli

Ex-goleiro, ex-solteiro convicto, um Diretor de Arte que precisa voltar a desenhar e um cozinheiro que precisa emagrecer. Enfim... um cara normal que tem alguns amigos, muitos conhecidos e nenhum inimigo. Já é uma vantagem!

Publicado em 22 de maio de 2012, em Bagaças e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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