O consumo nosso de cada dia!

Muito se vê e lê sobre a época em que vivemos e sobre como as empresas, agências de propaganda e até mesmo os próprios governos nos empurram de tudo um pouco, nos prometendo uma vida melhor e mais completa. Os analistas econômicos, sociólogos e PhDs de plantão falam muito sobre a sociedade consumista e como ela sobrecarrega o processo produtivo e sobre como este processo se torna cada vez mais voraz, sobrecarregando o ser humano e criando a frustação, que por sua vez é aplacada pelo consumo. Uma verdadeira roda viva que, na verdade, se iniciou há pouco tempo.

Antes disso a grande ambição humana era a corrida para se criar algo único e original, algo que distinguisse o indivíduo dos demais. Quem viu o filme “Uma Mente Brilhante” e a obcessão de John Nash por sua “ideia original” e de como ela o levou a beira da loucura tem uma noção do que estou falando.

Hoje em dia somos tantos, em tantos lugares e comandados por tão poucos que esta cada vez mais difícil o ser humano normal se destacar entre seus pares. A maioria das pessoas é apenas parte do processo produtivo. O mérito e o reconhecimento pelas grandes ideias não pertencem mais às pessoas, mas sim aos conglomerados para o qual produzem.

Assim a índole humana, que por milênios domou os elementos e criou sua própria jornada, se vê prostrada diante de um mundo que caminha sem ela. Tudo acabou se tornando mediano: a educação, o emprego, o casamento, a própria vida… até que a questão surge: como lidar com esse sentimento de diferenciação que sempre nos acompanhou???

E aí veio a grande sacada. Para que se esforçar em “ser”, se você pode “ter”???

Para o trabalhador médio os grandes feitos, as grandes ideias e o pensar diferente foram substituídos pelo carro do ano, o novo gadget e a ostentação de suas roupas. A realização pessoal virou questão do que se pode comprar que os outros não possam. Ser o primeiro a ir naquela balada famosa com uma camisa que ninguém mais tem é o Nirvana para alguns. Enquanto as pessoas estão neste ritmo não irão se importar em apenas fazer parte do processo produtivo. Não irão questionar, se impor ou mesmo se incomodar com isso.

Não  é ser contra o consumo, mas o fato é que elevamos esta necessidade na enésima potência para suprir nossa carência de reconhecimento. Acabamos buscando fora o que deveria vir de dentro de nós e, para a maioria das pessoas o grande dilema “ser ou não ser” se transforma no “ter ou não ter”. Com isso, aquele inconformismo, rebeldia e loucura que marcou Hamlet e um pouco do subconsciente de cada um de nós vai ficando com a voz cada vez mais débil… mais baixa, quase um lamento… até que um dia vai sumir entre tudo o que compramos.

Sobre Mauricio Andreoli

Ex-goleiro, ex-solteiro convicto, um Diretor de Arte que precisa voltar a desenhar e um cozinheiro que precisa emagrecer. Enfim... um cara normal que tem alguns amigos, muitos conhecidos e nenhum inimigo. Já é uma vantagem!

Publicado em 29 de maio de 2012, em Uncategorized e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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