Múltipla escolha

lucky strike_01

Durante a adolescência consegui passar incólume pelo apelo “cool” dos fumantes iniciantes. Acabei por nunca fumar. Ponto a meu favor, mas talvez por isso eu não entenda o porque de existirem tantos tipos de cigarros.

Já o meu irmão ainda fuma e uns tempos atrás vejo ele em casa apertando o filtro do cigarro. Ele parecia procurar algo e dali há pouco ouve-se um estalinho e ele volta a fumar. Perguntei o que era aquilo e ele falou que era o novo Lucky Strike que quando se aperta o filtro ele passa a ter um sabor mentolado. Pausa para digerir a novidade e logo duas coisas me vieram a cabeça:
– o que falta inventarem para viciar as pessoas dentro da lei;
– a que ponto as empresas investem para acessar e trabalhar a insegurança de seus consumidores, lhe dando cada vez mais opções para continuarem a manter e sustentar um hábito.

Já se fala há muito tempo que o consumidor não sabe o que ele realmente quer. Dentro desta premissa coube aos departamentos de marketing e agências de propaganda criarem novas demandas para atender a esta falta de objetividade. Mas esta engenhoca eleva a discussão há um novo patamar pois um fumante leva em média 3 minutos para consumir um único cigarro, e agora até mesmo neste curto espaço de tempo ele pode mudar de ideia.

A Lucky Strike é só um exemplo de como algumas marcas chegam a tutelar o seu consumidor em um labirinto infindável de opções, onde ele se acha no comando de suas escolhas, quando na verdade são as empresas que os direcionam para lá e para cá em um constante movimento de novas “opções” afim de aumentar seu mercado com a entrada de novos consumidores e trabalhar sua imagem inovadora.

E, em se tratando de cigarros, a cada ano aparecem mais e mais opções que apenas evidenciam o quanto o consumidor se leva pelo impulso em compras que justifiquem seus hábitos, afinal por que fumar “aquele” Lucky Strike se “este” Lucky Strike pode valer por dois.

Neste contexto chega a ser surpreendente que ainda se vendam camisetas só pretas ou só brancas.

Sobre Mauricio Andreoli

Ex-goleiro, ex-solteiro convicto, um Diretor de Arte que precisa voltar a desenhar e um cozinheiro que precisa emagrecer. Enfim... um cara normal que tem alguns amigos, muitos conhecidos e nenhum inimigo. Já é uma vantagem!

Publicado em 7 de janeiro de 2013, em Pessoal e Intransferível e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. excelente análise!

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