Que povo é esse???

politicosxpovo

Sim! O Brasil é grande e pode ser potência mundial… um dia, talvez.

Antes disso temos que mudar a base que mantém a nossa sociedade entre as mais corruptas do mundo: nós mesmos.

É preciso saber que a pessoa que é eleita para um cargo público é a mesma que era antes disso. Não adianta cobrar do ” Senador Fulano ” honestidade, integridade e ética se o ” Cidadão Fulano ” já não as tinha. Se o ” Cidadão Fulano ” enganava no troco, subornava o policial, procurava levar vantagem em tudo, cobrava comissão de 20% e não queria nada com nada ele vai continuar assim após a eleição. E, infelizmente, o “Cidadão Fulano ” é a maioria entre os quase 200 milhões de brasileiros e eles só levam em conta um critério no seu dia-a-dia: defender o seu custe o que custar, mesmo que isso implique em faltar com a ética, promover falcatruas e fazer uso da velha “Lei de Gerson”.

A corrupção não é mais restrita aos políticos e empresários. Ela já é endêmica e está em todas as faixas sociais. Basta prestar atenção: é difícil passar um dia em que não vejamos ou tomemos conhecimento de alguém, até mesmo um conhecido nosso, levando vantagem indevida em alguma situação. E não é apenas com os outros, nós mesmos temos as nossas falhas, nossos falsos atestados médicos, as “colas” na faculdade, os downloads piratas… e por aí vai. A nossa degradação moral como povo corre a olhos vistos e muitos se perguntam onde é que mudamos, onde começamos a trilhar este caminho? De quem é a culpa?

Os militares jogam a culpa na ascensão da esquerda populista ao poder. Os sociólogos veem o motivo no crescimento econômico de uma classe social que historicamente não teve acesso à educação formal e à cultura. A esquerda culpa o neoliberalismo. Enfim, dedos para apontar um novo culpado a cada dia é o que não falta.

“No Brasil quem
tem ética parece anormal
!”
Mário Covas

Infelizmente o “Brasil Malandro – onde tudo se dá um jeitinho” é anterior a tudo isso. O que estamos vendo é apenas o ápice de um longo processo histórico. Hoje chegamos ao luxo de quase eliminar a figura do corruptor, afinal ele vai se tornando desnecessário na medida em que quem se elege já procura por si mesmo os meios para desviar alguma verba. Não é mais necessário alguém te incentivar a fazer algo imoral ou ilegal. Está no nosso DNA.

E o acesso a informação e a velocidade com que estas situações se propagam apenas nos permitem acompanhar as mazelas morais do Brasil quase em tempo real e dizer que apenas seguimos o exemplo que vem de cima é purista e covarde demais.

A cada nova eleição analistas políticos nos alertam para cobrarmos de quem elegemos os valores éticos e morais que um cargo público exige, mas como fazer isso se quem foi eleito é apenas o reflexo de quem votou? Será que aguentaríamos esta autoanálise? Teríamos a coragem de nos olhar no espelho e ter a lucidez de nos vermos como realmente somos como povo e reconhecer que no fundo somos muito parecidos com os nossos políticos?

Se aceitássemos este desafio este seria apenas o inicio da caminhada para repararmos décadas de permissividade e corrupção. Só depois disso é que teríamos a legitimidade de querer ocupar nosso lugar no mundo.

Sobre Mauricio Andreoli

Ex-goleiro, ex-solteiro convicto, um Diretor de Arte que precisa voltar a desenhar e um cozinheiro que precisa emagrecer. Enfim... um cara normal que tem alguns amigos, muitos conhecidos e nenhum inimigo. Já é uma vantagem!

Publicado em 15 de fevereiro de 2013, em Pessoal e Intransferível e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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