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ROGUE ONE: A VINGANÇA DOS FÃS DE STAR WARS

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Um ano depois de O Despertar da Força dividir opiniões mundo afora, Rogue One (ou “R1”, pra encurtar e facilitar a escrita) chega para sacramentar a promessa da Disney de um revezamento entre sequências da saga original (episódios 7, 8, 9 e só Deus sabe quantos mais) e histórias avulsas dentro do vasto universo de Star Wars. Ou seja, uma fartura de filmes capaz de desafiar as exigências e bolsos dos mais vorazes fãs, bombardeados por novos elementos, personagens, informações, especulações e – claro – milhões de produtos. Resultado: já tem gente reclamando e carregando nas críticas, dando verdadeiros tiros de Estrela da Morte na intenção de dizimar os planos que os herdeiros do tio Walt têm para o futuro de Star Wars. Pois a este império de chatonildos, a este exército de “intelectuais”, que oprime a galáxia com o poder sombrio do mimimi, eu brado de cima das áridas colinas de Jeddah com meu blaster erguido: “I REBEL!”.

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Vivi a seca entre O Retorno de Jedi em 1983 e a edição especial do “Velho Testamento” (a trilogia original, episódios 4, 5 e 6) com novos efeitos em 1997, período em que, sem internet (sim, já existiu), os fãs vagavam a esmo no deserto da desinformação, atrás de qualquer migalha que pudesse saciar a paixão pela saga. Não é agora, quando finalmente a Força está com a gente, que iremos nos entregar sem luta. Rápido, não temos tempo a perder – suba a bordo do meu textão sobre R1 e me ajude a roubar os planos de quem não teve infância e quer acabar com a nossa diversão! BORA!!!!!! [nem preciso dizer, mas enfim: ******FESTIVAL MUNDIAL DE SPOILERS DE ROGUE ONE ABAIXO!*****. VÁ VER O FILME PRIMEIRO E VOLTE AQUI DEPOIS PRA CONFERIR O QUE EU ACHEI]

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E pra já deixar bem claro logo de cara: diferentemente do Episódio 7, EU ADOREI ROGUE ONE – me diverti, me emocionei e o mais legal de tudo, me SURPREENDI. Não estava esperando que esta despretensiosa aventura fosse, na verdade, o EPISÓDIO 3.9 DA SAGA STAR WARS! Os 15 minutos finais de R1 são magia pura, um prêmio a todos que se dedicam a cultuar a história criada “há muito tempo atrás” por George Lucas, a qual parece mesmo estar agora em boas mãos. Não achei um filme perfeito, nota 10, “o segundo melhor da saga, só atrás de O Império Contra-Ataca” como tenho lido. Mas é sem dúvida um baita filme – divertido, tenso, com o DNA de Star Wars, mas com um algo a mais que ainda não tínhamos visto, nem sabíamos que era permitido ter. E o que mais me incomodou da pré-estreia até agora é o termo “Fan Service”, a mais nova invencionice dos críticos pra designar os elementos incluídos na história “só para agradar/homenagear os fãs” (easter eggs, personagens de outros episódios, etc). Assim, ó – encarnando aqui toda a brutal sinceridade do genial K-2SO (o “Sheldon Cooper dos robôs“): VÃO SE CATAR! Este é o oitavo filme da saga Star Wars para o cinema, sem contar todo o resto – É ÓBVIO que não é um filme pra quem nunca viu nada, pra quem não conhece o Darth Vader, pra quem acabou de chegar de outro planeta e não sabe o que é Star Wars (será que em algum planeta do universo alguém ainda não conhece Star Wars?). Que papinho de gente mal-amada, de quem tem inveja da diversão dos outros e fica desdenhando pra diminuir a alegria alheia. Pega tua empáfia e vai de mão dada com ela ver filme independente europeu e nos deixa em paz, seu xarope!

Traduzindo: não acho possível gostar de R1 sem conhecer a história (muito menos entender direito o que está rolando). Apesar dos vários novos personagens e planetas nunca antes citados, a armadilha emocional está nos detalhes, na bagagem que já temos para saber a real importância da missão daquela valorosa “mini-legião estrangeira” atrás do HD mais valioso das galáxias. Baita sacada o “furo de roteiro” que sempre foi aquele bueiro destapado na Estrela da Morte ser proposital – ideia de quem parece ter estudado a fundo Star Wars, a ponto de perceber também a importância do Tarkin para viabilizar esta trama, e assim não medir esforços para construir o mais perfeito CG que eu já vi! Meu cérebro levou algumas cenas pra entender que era computação gráfica, e não um ator maquiado para se parecer com o finado Peter Cushing (tanto que só consegui ler as legendas ou prestar atenção nas falas dele na segunda vez que vi o filme). Parabéns aos responsáveis!

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Darth Vader… o que dizer? Questionei sua aparição em R1, achava que era só um chamariz, sentia que não seria relevante para a história… bah, errei feio, errei rude: MATOU A PAU!!!! Não estava esperando a cena final, achei que seria só aquela ponta (bacana) no meio do filme, em seu castelo/spa em Mustafar (bem que podia ter “menas” névoa naquele tubo pra vermos melhor ele queimado lá dentro, heinhô?). Mas não: tivemos FINALMENTE o temido Darth Vader ARREGAÇANDO, sujando as mãos como se não houvesse amanhã, sabrando ao meio quem tava na frente com uma crueldade que George Lucas sempre escondeu da gente, certamente com medo do que diria a “patrulha do politicamente correto”… pois a vocês foi dado o recado: #CHUPEM! \m/

Em meio a batalhas dignas do início do Resgate do Soldado Ryan, com tiro comendo pra tudo quanto é lado, uma obra-prima me fez engasgar: trechos de pilotos rebeldes (o Red Leader e o Gold Leader) não usados no Episódio IV em 1977, remasterizados e inseridos com precisão cirúrgica nas cenas do ataque à base imperial em Scarif… quando vi a primeira vez pensei: “HEI – EU CONHEÇO ESSES DOIS!”, mas assim como o Tarkin 3D, não consegui decifrar de imediato a genialidade de quem bolou essa homenagem fantástica aos fãs, que se junta ao leite azul na casa da Jyn e ao esbarrão dela na dupla de arruaceiros da Cantina pelas ruas de Jeddah como verdadeiros “Disney Magical Moments“, algo que está na cartilha de quem trabalha lá, e que foi executado com maestria pelos roteiristas de R1.

A narrativa ao estilo zapping, cortando as cenas para os nomes dos lugares escritos na tela (em vez das clássicas transições “persiana horizontal do powerpoint”) deram personalidade ao filme, que teve a macheza de não abrir com o roll amarelo, nem com o nome Star Wars gigante na tela. Não temos nem os temas musicais originais por completo, só pequenos trechos que já emendam em ambientações sonoras perfeitas pra porradaria comer solta. Ponto para a coragem de não se importar com as reclamações dos xiitas, ponto para quem soube fazer igual mas diferente, ponto para quem nos mostrou através do microscópio uma história que já havia sido contada, revelando novas camadas de drama, emoção e diversão.  IMPOSSÍVEL não sair do cinema sem morrer de vontade de chegar logo em casa pra rever Uma Nova Esperança, agora sabendo o parto de cócoras sem anestesia que foi entregar aquele pen drive pra Leia. Rogue One, um filme que nos mostrou o calibre de possibilidades e todo o potencial de destruição de críticas que possui essa “Estrela da Morte criativa” da Disney. Ansioso já por dezembro de 2017, para mais um capítulo da “Vingança dos Fãs de Star Wars” contra os chatos de plantão! (abaixo, eu passando por cima das lágrimas dos críticos após ter visto R1… eu já disse #CHUPEM hoje?)

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E agora, tendo ficado bem claro que adorei Rogue One como um todo, seguem em tópicos algumas coisas que não curti muito. É apenas a minha opinião, de fã sob forte emoção, de alguém que ama Star Wars desde 1977, que não invalidam em hipótese alguma a existência do filme – não se ofendam, não me ofendam (muito), não terminem amizade comigo por causa disso, ok? Afinal, ainda teremos muitas filas de pré-estreia juntos pela frente…

  • Achei que a Princesa Leia não precisava ter se virado para a câmera no final – já estava entendido que era ela e a emoção da cena estava garantida. Ao virar, o CG não pareceu tão perfeito como o do Tarkin (me lembrou até um boneco de cera), mas não foi nada que tirasse o brilho daquele momento sensacional.

 

  • Opinião pessoal: acho estranho a Força ser cultuada por não-Jedis. Não me parece certo a expressão “Que a Força esteja conosco/com você” ser banalizada e usada normalmente por todo mundo. Deveria ser algo incompreensível, inexplicável, que quando controlado dá poderes incríveis à pessoa, como vimos na trilogia clássica (esqueçam os Midi-Chlorians!). O que se entende é que o ceguinho Chirrut tem a Força em estado bruto como tinha o Anakin piá, e ao não ter recebido treinamento adequado, não desenvolveu as habilidades necessárias pra virar Jedi. Mas no fim a coisa virou zona: até a Jyn cita a Força em vão… sei lá, não gostei.

 

  • Sabemos que houve refilmagens depois que o filme estava pronto, mas a coisa deve ter sido mais feia do que imaginávamos. Há VÁRIAS cenas nos trailers que não estão no filme, inclusive algumas em que nitidamente a proposta era outra, como a Jyn e o Cassian correndo com os planos da Estrela da Morte pela praia, e não lá em cima da torre. Tiraram também as iradas cenas dos stormtroopers com água pela canela, do Tie Fighter surgindo na frente da Jyn na plataforma da antena e do Krennic passando com a capa por cima da água, entre outras… alguém deve ter enfartado nessa brincadeira!

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  • Felicity Jones está OK como Jyn Erso, mas pra mim longe daquela atriz que concorreu ao Oscar pelo baita papel em A Teoria de Tudo. Não conseguiu acrescentar um algo a mais no clichê da jovem heroína de ação – comparando, achei a Rey da Daisy Ridley melhor. Pena…

 

  • Death Troopers. Como seria esta tropa de elite do império? Olha o nome, olha a farda preta, olha a quantidade de action figures especiais… mas não passaram de guarda-costas do Krennic, como a guarda real do Imperador (aqueles todos de vermelho). Acabaram não dizendo a que vieram, erram tiro à queima-roupa igualzinho aos bons e velhos stormtroopers… decepcionante.

 

  • Preferia que a ponta do C-3PO e do R2-D2 tivesse acontecido não perdida lá em Yavin, mas já dentro da Tantive IV com a Leia na última cena do filme. Seria beeeeeem menos forçado (assim pareceu só pra dizer que os dois estão presentes em todos os episódios da saga).

 

  • E encerrando: alguém sabe onde tá o abaixo-assinado pra essa cena ANTOLÓGICA abaixo entrar na versão estendida de Rogue One? 😉

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STAR WARS EPISÓDIO 7: “UMA NOVA ESPERANÇA”… ¯\_(ツ)_/¯

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Buenas, como Star Wars – O Despertar da Força só estrearia na China quase um mês depois da estreia mundial, me mantive em silêncio pra ninguém no mundo reclamar que eu espalhei spoilers e, de alguma forma, estraguei o impacto das surpresas – todo mundo que me perguntava “E aí, o que tu achou do filme?” ouvia um seco “Não posso dizer nada. Nenhuma palavra.” Mas eu tinha que falar, eu precisava falar… na real, eu ainda preciso, e chegou a hora! Mas antes de começar, vou responder à outra pergunta que seguem me fazendo: “E aí, devo fazer a maratona dos episódios 1, 2, 3, 4, 5 e 6 antes de ir no cinema ver o 7?“. Não, não faz – corre pro cinema antes que os trolls (que estão descrevendo o filme nas redes sociais por puro espírito de porco) te encontrem e se deliciem estragando o filme pra ti, além de um outro motivo que ficará claro durante a leitura abaixo. Dito isso, foi tua última chance de escapar de spoilers cabulosos, detalhes do roteiro e de tudo mais que poderá influenciar tua opinião quanto àquele que foi o filme mais esperado dos últimos 30 anos. Portanto, apertem os cintos que entraremos agora no hiperespaço – próxima parada: as entranhas da mente e do coração de Jairo Piscitelli Jr., fã de Star Wars desde 1977, admirador do trabalho de J.J. “Lost” Abrams e espectador que assistiu três vezes ao filme antes de ter a mais absoluta certeza de tudo que você lerá a partir de… AGORA! [***SPOILER ALERT MODE: ON!!!!***]

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17 de dezembro de 2015. 02h20min da madrugada. Saída da sala de cinema na pré-estreia de O Despertar da Força. O Conselho Jedi Rio Grande do Sul em peso, todos devidamente cosplayzados, em lágrimas verdadeiras de emoção, se abraçando e compartilhando a experiência vivida minutos antes. Vou ainda atordoado em direção a eles, que me perguntam, com o sorriso nas orelhas e os olhos marejados: “E aí Jairo, o que tu achou???“. E abrindo o alçapão sob os pés deles, as primeiras palavras que saem da minha boca, rasgando o ar tal qual a Excalibur-de-Luz do Kylo Ren, foram: “Eu… eu… EU ODIEI!!!“. Surpreso(a) com a minha resposta? Eles também. Eu, idem…

Nem sei mais direito o que eu estava esperando do filme que retomaria com tudo a saga Star Wars – agora na Disney, agora sob a direção do glorioso J.J. “novo Spielberg das antigas” Abrams, com os atores originais, com a possibilidade de curtir todo esse buzz fantástico ao lado das minhas filhas Carolina (10 anos) e Bianca (5 anos). Mas uma coisa eu tenho certeza que eu não tava esperando: um control+C/control+V descarado do roteiro do “Episódio IV – Uma Nova Esperança” (o “Guerra nas Estrelas” original, para os leigos). Sério mesmo, gente: Estrela da Morte com um ponto fraco que um esquadrão de X-Wing destrói após alguém desligar o escudo pra eles? Uma cantina (com – quack! – uma banda da cantina!!!) onde alienígenas esquisitos de toda a galáxia se encontram pra tomar uns gorós e fazer negócios? Um(a) jovem sonhador(a) com uma vida monótona num planeta desértico, até encontrar um robô que carrega consigo uma informação sigilosa e responsável por mudar seu destino? Um vilão que recebe ordens via holograma de seu misterioso mestre? Pai e filho se confrontando em uma plataforma dentro da Estrela da Morte? Bah, meus amigos… peraí um pouquinho: com um infinito de possibilidades de roteiro nas mãos, POR QUE DIABOS REPETIRAM O ROTEIRO DO EPISÓDIO IV??? “Homenagem”? Ah, não vem com essa! Homenagem foi o Finn esbarrando na mesa de xadrez/dejarik na Millennium Falcon, ou encontrando a esfera de treino de sabre-de-luz do Luke, ou ainda seu nome-código ser FN-2187, o mesmo número da cela da Princesa Leia. POR QUE DIABOS FAZER UMA TERCEIRA ESTRELA DA MORTE COM UM PONTO FRACO ONDE UMA X-WING ATIRA E EXPLODE A PORRA TODA???? (“Base Starkiller”? Nah… eu sei reconhecer uma Estrela da Morte, afinal JÁ VI OUTRAS DUAS ANTES!!!). Na boa: morri de vergonha alheia, me deu uma enxaqueca fulminante durante o filme, um mal-estar profundo… enfim, uma frustração indescritível, que abafou coisas MUITO LEGAIS do Episódio 7 (todas as cenas da Falcon, as piadas e sacadas hilárias, a atuação de luxo do Harrison Ford, todas as cenas com o BB-8, a cena final com o Luke, a participação genial do 007 como o stormtrooper que leva um Jedi Mind Trick da Rey, e por aí vai). Depois daquela sequência matadora de teasers, trailers e TV spots, que nos encheram de dúvidas e vontade desesperadora de ver logo o filme pra ser apresentado às novidades, percebemos que elas não eram tão novas assim… sorte de quem viu direto o Episódio 7 sem ter visto os outros antes, perdendo com isso umas 3 ou 4 piadas e/ou referências, mas ganhando o ineditismo das soluções de roteiro, sem a broxante sensação de déjà vu a cada 30 segundos.

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Kylo Ren. Putz, esse merece um parágrafo só pra ele: o vilão MAIS MIMIMI de toda a galáxia, fazendo beicinho, soltando a pomba-gira e dando piti cada vez que alguma coisa dá errado foi demais pra minha cabeça! Dá licença, mas não honrou a farda preta e o sabre-de-luz mais irado dos 7 filmes da saga. Ver meu personagem preferido ser morto POR UM BUNDA MOLE DESSES me deixou ainda mais de cara!

E o que dizer da Capitã Phasma, a personagem que eu estava mais curioso pra conhecer? Aquela armadura cromada espetacular, todo o hype em torno da Gwendoline Christie, atriz de 2 metros de altura que matou a pau em Game of Thrones… tchê, A MINA APERTOU UM BOTÃO E DESLIGOU O ESCUDO QUE PERMITIU A EXPLOSÃO DA BASE STARKILLER! Meu, a Capitã do exército mais temido do universo… morre com honras militares (e tenta levar alguém junto) MAS NÃO DESLIGA O ESCUDO, PORRA! Que personagem patético – coitado de quem comprou as action figures dessa songa-monga, que foi parar onde? No compactador de lixo do Episódio IV… detonaram um personagem com um baita potencial SÓ PRA FAZER UMA PIADA INTERNA? Se voltar pros próximos episódios, que moral vai ter?

Nem o vovô-gênio John Williams se salvou – não tem um tema musical novo relevante nesse filme (como foi Duel of Fates, um dos grandes destaques do detestado Episódio I). Os principais momentos de O Despertar da Força são marcados pelas boas (ótimas!) e velhas músicas que todos já conhecemos e identificamos de cara. Bom, pelo menos na cena da cantina mudaram a trilha usada no Episódio IV: trocaram ela POR UM REGGAE!!!!!!). #WTF

A lista de decepções parece não acabar nunca: C-3PO de bracinho vermelho só pra vender as action figures dele neste episódio (não fosse esse detalhe, o boneco seria igual ao dos outros filmes e não venderia – estratégia já usada antes no Watto, o dono do ferro-velho onde trabalhava o Anakin guri. A diferença dele nos Episódios I e II é um chapeuzinho… ou seja, usaram o velho truque)! Maz Kanata… ou a “nova Yoda”: personagem chato, sem sal e que não agrega nada interessante à saga. General Hux… ou o “novo Tarkin”: personagem chato, sem sal e que não agrega nada interessante à saga (viram como o control+C/control+V é irritante?). Resumindo: fui pra casa de cabeça inchada, ao ver que o sonhado O Despertar da Força era praticamente o Uma Nova Esperança de bracinho vermelho e chapeuzinho, pra vender novamente. Me deu insônia e uma vontade incontrolável de berrar: “se era pra fazer isso, VOLTA GEORGE LUCAS”! 😦

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Na noite seguinte, fui de novo ao cinema, agora com a minha esposa Karina e a Carol, sem ter dito pra elas que tinha detestado o filme. Refleti o dia inteiro a respeito, li todas as opiniões que encontrei e cheguei à única conclusão possível, que finalmente me fez relaxar – e se até aqui você estava sentindo o mesmo que eu, relaxe também: O Despertar da Força, apesar de ninguém ter dito isso antes ou admitir isso agora, nada mais é do que UM REBOOT DO EPISÓDIO IV! Só isso justifica tantas “homenagens” no roteiro: a Disney deve ter exigido “a mesma magia de quando Star Wars foi lançado em 1977”, para trazer a boa (maravilhosa!) e velha saga para o século XXI com tecnologia e efeitos modernos, mas a aura original. E isso deve ter sido cobrado ao pé da letra em reuniões da Diretoria da empresa com os produtores do filme. Ou melhor (pior), literalmente: “Rapaziada, o que tinha no Episódio IV que encantou as pessoas e fez o filme virar febre mundial? Estrela da Morte! Cantina! Banda da Cantina! Planeta desértico! Vilão que recebe ordens via holograma do mestre (nãopéra… isso foi do segundo filme… esquece!). Entenderam o que eu quero dizer, né? Com medo de errar, devem ter fuçado no roteiro a tal ponto que em vez do JJ ser obrigado a parir um frankenstein, preferiu fazer um reboot digno, decente, ainda com o DNA de Star Wars. Bando de cagões! Bom, pra quem não sabe, isso é apenas um dia normal de trabalho no Departamento de Criação de qualquer agência de propaganda – “o cliente está pagando, faz o que ele pediu: aumenta o logotipo e põe um splash com a promoção”…

E aí, pensando em um reboot, relaxei… e consegui apreciar mais as coisas boas do filme! Curti ainda mais os rasantes da Millennium Falcon em Jakku; os “diálogos” do BB-8 (a hora que ele retribui o joinha pro Finn é genial!); percebi que o beicinho do Kylo ilustra a imaturidade do personagem, abrindo brecha pros próximos filmes trazerem seu amadurecimento; viajei na interpretação da Rey, tentando entender a rapidez com que aprendeu a manejar um sabre-de-luz, apesar de minutos antes achar que os Jedi eram só uma lenda. E saí mais leve do cinema, sem dar bola para os plots xerocados – afinal, é um reboot, e reboots não podem/devem alterar os plots do roteiro original, confere BB-8?

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Dias depois, acabei indo ao cinema pela terceira vez (como tinha visto legendado, a Carol não conseguiu acompanhar direito a história – então, fomos eu, ela e a Bibi ver a versão dublada). E aí, meus amigos, foi pura curtição! Que furo de roteiro o que – STAR WARS TÁ DE VOLTA, GALERA!!! Terceira Estrela da Morte? Nem notei – tava roubando uma mãozada de pipoca no balde da Carol… e no sorriso das minhas filhas, finalmente me dei conta que não passo de um intruso na relação desta terceira trilogia de Star Wars com seu novo público, do qual minhas filhas fazem parte (uma “Nova Esperança” de preservar essa paixão louca e incompreensível que as outras gerações tiveram pela saga). Foi pra elas que Star Wars voltou, com protagonista mulher, herói negro e tudo mais que fala a mesma língua dessa tchurminha. E se há elementos parecidos (iguais?) aos da saga original, parabéns ao gênio que soube usar, naquela época jurássica, uma linguagem universal e atemporal, que ainda consegue cativar hordas de fãs após tantos anos.

Será Snoke o mesmo Darth Plagueis, o mestre Sith que sabia “criar vida” supostamente morto por Palpatine? Terá Rey usado a Força sob influência mental de Luke, emanada via WiFi-Jedi lá da ilha? Aliás, será que ela é filha de Luke, de Obi-Wan ou irmã gêmea do Kylo, separada dele no nascimento? (hmmm… acho que já vi isso ant…bom, deixa pra lá!). Dúvidas e mais dúvidas com data certa pra serem solucionadas: 25 de maio 15 de dezembro de 2018***, em pré-estreia, na sessão da 00h01min – vocês eu não sei, mas eu estarei lá com minha esposa, minhas filhas e nossos baldes de pipoca, ansiosos por mais duas horas e meia de curtição (gurias… WE´RE HOME!!!)! [***mudaram a data – entre os motivos, estão reescrevendo o roteiro porque, segundo os produtores, “ESTAVA FICANDO MUITO PARECIDO COM O IMPÉRIO CONTRA-ATACA”… bah, fala sério! 😦 ]

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R.I.P. MTV – PQP! (ou “Desliguei a TV e Fui Ler Um Livro!”)

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Não comentei antes sobre o fim da MTV Brasil porque quis primeiro testemunhar a ressurreição da emissora dia 1º/10 em novo endereço e com nova proposta. Exatos 18 segundos depois da tal reestreia, ao ver o Fiuk (saúde!) anunciando uma entrevista com Anitta Poderosa, desliguei a TV e fui silenciosa e solitariamente velar minhas saudosas lembranças do canal que tanto contribuiu para minha formação cultural…

Quando a MTV surgiu nos EUA, eu tinha 8 anos (mesma idade hoje da minha filha mais velha), e como gostava muito de TV e cinema, notava que referências à emissora pipocavam em toda parte – do logotipo subliminar num cantinho da cena à citação explícita em Money for Nothing do Dire Straits (“I want my MTV”). Enfim, me criei sonhando com o dia em que poderia assistir ao tal “canal que só passa música”, até que, em 1990, ele chegou. Em UHF, com nome e sobrenome: MTV Brasil (diziam na época “Emetevê”… cruzes!). A linguagem e o visual eram os mesmos da matriz gringa, mas ainda com pouco conteúdo local, o que os obrigava a preencher a grade com muitos clipes repetidos e extravagâncias como as primeiras temporadas do Saturday Night Live (episódios com John Belushi, Eddie Murphy, Steve Martin e outros em início de carreira… es-pe-ta-cu-lar!!!!).

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Curiosidade 1: como as TVs mais antigas não pegavam UHF, só conseguia captar o fraco sinal chuviscado pelo videocassete, turbinado por uma antena de arame de cabide forrada com Bombril. Curiosidade 2: os clipes que mais bombavam nas primeiras semanas eram Patience, do Guns and Roses, e Everything I Do (I Do It For You), do Brian Adams. Curiosidade 3: fui no show de lançamento da MTV Brasil no Parque Marinha em Porto Alegre, com shows de Nenhum de Nós (o representante gaúcho com clipe na programação) e Capital Inicial – este, em apresentação melancólica vaiada do início ao fim… bons tempos!

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Tudo era novidade interessante, do formato com VJs (os “irmãos mais velhos platônicos” da gurizada) anunciando os blocos de clipes com drops de informações sobre as bandas, às vinhetas bizarramente coloridas e sem o menor sentido. E durante o dia inteiro, um “copy+paste on fire” de clipes de bandas e artistas dos quais eu nunca tinha ouvido falar: Big Audio Dynamite (“Rush”), Marky Mark and the Funky Bunch (“Good Vibrations”), Snow (“Informer”), Dee Lite (“Groove Is In The Heart”), Jesus Jones (“Right Here, Right Now”), E.M.F. (“Unbelievable”), Queensrÿche (“Silent Lucidity”), Paula Abdul (“Straigh Up”), Kriss Kross (“Jump”)… bah, passaria o dia inteiro aqui e não lembraria de tudo! Claro, nada era obrigatoriamente bom (muito lixo e 95% “one hit wonders“, diga-se de passagem), mas tudo era definitivamente diferente e intrigante. E o combo se completava com as animações insanamente geniais (a.k.a. “desenho animado com palavrão” – O.o): Beavis & Butt-Head, South Park, Garoto Enxaqueca, Aeon Flux… puxa, enquanto escrevo e seco as lágrimas, vou relembrando e percebendo que é mesmo impossível colocar aqui tantas coisas bacanas, até porque já deu pra pegar o espírito da coisa e sacar como essa MTV Brasil que fechou as portas – cheia de apresentadores irrelevantes e programas patéticos – já não era mais nem a sombra daquela que foi nossa vitrine para o mundo na era pré-internet.

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Não vou reinventar a roda aqui dizendo que não faz mais sentido hoje em dia ficar esperando um determinado clipe passar na TV, tendo o Youtube à disposição pra ver o que eu quiser, onde e quando eu bem entender. Mas confesso que não percebi isso logo de cara, e minha decepção foi aumentando em PG ao longo dos anos com o volume crescente de blablablá de subcelebridades instantâneas no ar, com programas de auditório, reality shows nacionais, torneio de futebol entre bandas e tudo mais que não fosse a porra da música no tal “canal que só passa(va) música”. A cada dia, foi ficando mais difícil continuar assistindo à MTV, e só hoje percebo claramente que o único errado nisso tudo, de fato, era eu. Ou melhor, a minha geração…

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Emulando emocionantemente minha história, a Carolina – minha filha de 8 anos – viu nascer essa “nova MTV Brasil“… enquanto passava de fase no joguinho das Monster High no iPad (!!!). Touché! Zéfiní! Sem mais, meritíssimo! Quando eu tinha a idade dela, a TV e seus 5 canais abertos eram soberanos, cagavam regra, construíam a sociedade com a naturalidade de quem não tem concorrência à altura (jogar bola e andar de bicicleta com chuva era complicado, e à noite, proibitivo). Sou fruto desse momento, e querer 100% de música no “canal que só passa(va) música” é, pra esse ancião de 40 anos que vos escreve, cartesiano e lógico – tudo que os jovens mais abominam. E como daqui pra frente, este texto dependeria de antropologia, psicologia, linguística, marketing, sociologia e outras “ias”, paro por aqui. Quero que “MTV” pra mim seja sempre sinônimo de diversão, não de tese de mestrado. À nova MTV Brasil, boa sorte na conquista da atenção da minha filha, que graças a Deus ainda não faz ideia de quem seja Fiuk, nem Anitta Poderosa, mas já sabe, por exemplo, que foi numa premiação da MTV que o Bon Jovi criou o formato unplugged/acústico, entre mil outras histórias a serem narradas aos meus netos no futuro (bom, talvez eu tenha que criar um Vlog para eles verem no iPad…)

PS) Para refletirmos: no vídeo abaixo, os últimos 13 minutos da velha e já saudosa MTV Brasil – absurdamente mais significativos e memoráveis que os últimos 13 anos da emissora que, um belo dia, teve culhão pra mandar a gente desligar a TV e ir ler um livro… #clapclapclap

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NÃO AO ORKUTCÍDIO!

Nunca esquecerei 2004 – o primeiro ano do resto da minha (nossa) vida social. Até ali, a interatividade na então revolucionária Internet ainda se resumia, via conexão discada, aos e-mails (ZAZ, Voyager, BOL, Tutopia… lembram?), aos chats em DOS (IRC, MIRC e demais onomatopeias de soluço) e aos posts e comentários em blogs com templates pasteurizados (Blogger, Webbloger). E então, como o golden ticket em uma despretensiosa Wonka Bar, surge um belo dia o convite para um tal “Orkut” (cuma???)… e o resto é história. A nossa história – minha, de quem está lendo este texto e, possivelmente, das próximas gerações de internautas (termo que fui buscar lá em 1996, pra deixar claro meu grau de antiguidade nesse admirável mundo novo da “cibernética”, como era chamada a informática pelos nossos antepassados). Confesso: eu era feliz… e sabia! Só o que eu não imaginava era a saudade que eu teria daqueles glory days… e é ela que me impede de puxar o gatilho cada vez que coloco a arma na boca pra cometer Orkutcídio.

Falando em pré-história, a cada logada no Orkut – tal qual a famosa cena do clássico “2001” – parecíamos inocentes neanderthais descobrindo as inúmeras possibilidades de interação social do portal: communities, scraps, testimonials (sim, tudo ainda em inglês), que nos levavam diariamente a desbravar caminhos inexplorados, expandindo espontaneamente a ferramenta de relacionamento do Google, exatamente como previsto e calculado por seu idealizador e padrinho de batismo. Tudo era novo, tudo era interessante, e o fatality psicológico era dado pela aura de exclusividade, de “clubinho fechado”, reunindo a princípio uma casta de beta-usuários (publicitários, nerds, hipsters em geral e todo tipo de gente descolada existente àquela altura no planeta). Podem me cornetear, mas era genial, e eu pagava pau violentamente para os responsáveis, fazendo propaganda gratuita da brincadeira (como na imagem abaixo, ao vivo no finado Estúdio 36, com o Túlio Milmann mostrando meu perfil na tela e eu, de microfone em punho, ensinando o Rio Grande do Sul inteiro a “orkutear”).

Grande parte da mística envolvia as chamadas Teorias da Conspiração: desde “vão começar a cobrar pra usar o Orkut”, “é tudo um plano pro Google dominar o mundo” e até a consistente lenda urbana de que, numa interligação das plataformas do Google, quem tinha Gmail começaria a receber propagandas com base nas comunidades das quais participava no Orkut (ex: quem estava na “Eu Amo Chocolate” receberia spams da Nestlé, Lacta, etc.). No fim, nada se concretizou nesse sentido, mas houve de fato utilizações mirabolantes e criativas, como a de um amigo meu que trabalhava em uma montadora de automóveis e criou a comunidade “Eu odeio a XXXXX” (fingindo ser um cliente insatisfeito com a marca), coletando por ali depoimentos sobre problemas diversos e providenciando suas correções – bem bolado, heinhôôô Batista?!

Em 5 saudosos anos de Orkut diário, me diverti, exercitei como nunca minha imaginação doentia (mantive por 3 meses um absurdo “Big Brother” sobre Star Wars… ah, a mocidade!), fiz valorosos amigos (até no Japão!), fiquei conhecido a ponto de dar entrevistas e palestras, ganhei presentes espetaculares (de coleções completas de action figures a autógrafo personalizado do Mauricio de Sousa!), anunciei a gravidez da minha esposa – acompanhada virtualmente por amigos e familiares distantes pela saudosa comunidade “Confraria da Sementinha” –, reencontrei colegas de escola e amigos de infância há muito esquecidos, entre centenas de outras boas lembranças que me ocorrem enquanto escrevo, me policiando pra não exagerar demais nas lembranças dos detalhes, dos causos hilários/surpreendentes/emocionantes. Tudo ao alcance do ponteiro do mouse – fácil, rápido, de graça. E então, conforme a máxima do Marketing que diz que “se o produto é grátis, o produto é você!”, um belo dia tudo começou a mudar.

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Surgiram os GIFs animados multicoloridos, os jogos patrocinados, os links maliciosos conduzindo seu micro sem escalas para vírus destruidores de HDs, competição de roubo de comunidades (substituindo o moderador por perfis fakes), empresas expandindo para o Orkut a avaliação de candidatos a emprego (vetando membros de comunidades como “Odeio meu chefe”, “Fumo maconha, e daí?”, “Bebo até cair” e outras profissional e socialmente tidas como “incorretas”)… foi a perda total da inocência, antecipando a “orkutização do Orkut” e abrindo caminho definitivo para o Twitter e o Facebook sugarem nossa vitalidade por esporte. Postar hoje virou obrigação fria e calculista, medindo palavras e projetando a repercussão de cada letra, com base na jurisprudência de quem se deu bem (ou mal) ao longo do caminho. Tudo se parece com algo já visto, porém recauchutado e com a maior cara de que é armadilha de algum marketeiro pra te vender areia no deserto.

Tá, já sei… é a direção inevitável, então não dá pra remar contra. Só que a cada ida ao embolorado Orkut pra apagar meu perfil, me pego duas horas depois do login fuçando nas comunidades que criei e que seguem respirando por aparelhos, teimosas e resistentes ao tempo e à concorrência pelos nossos minutos de ócio. Releio postagens de 8 anos atrás, folheio álbuns de fotos virtualmente empoeirados, e como se engatasse a quinta no DeLorean revivo a curtição de grandes e inesquecíveis momentos. E no silêncio sepulcral destas comunidades abandonadas à própria sorte, em meio a lágrimas de nostalgia e revolta, brado com toda força, de peito aberto, no topo da colina a quem possa me escutar: VOLTA, 2004!!! VOLTA, INOCÊNCIA!!! VOLTA, ORKUT ORIGINAL!!! VOLT ***BANG!!!!!*** (putz, na euforia o dedo escapou do gatilho e a bala passou de raspão na ponta da orelha… que cagaço, gente!)

PEDALA, PORTO ALEGRE!

Eu tive uma visão. Dizem que as “ideias de um milhão” são as mais absurdamente simples, que estavam se esfregando na nossa cara o tempo todo, só faltando serem percebidas – e este foi o caso. Só lamento profundamente que ela não me dará um milhão, servindo “apenas” pra transformar Porto Alegre na cidade-exemplo de urbanismo, preservação ambiental e valorização da vida como a conhecemos…

Primeiro, a história: estava eu, de moto, meio-dia, preso no trânsito infernal da Érico Veríssimo. Níveis de poluição e monóxido de carbono muito acima do tolerável, buzinaço típico de conquista de Copa do Mundo, irritação latente crescendo em PG e o pensamento de que a tendência, com o passar dos anos, será de considerável piora neste legítimo quadro de Dalí. Neste instante, olho para a esquerda e vejo o corredor de ônibus vazio, sem nenhum coletivo transitando nos 2 Km de extensão do trecho – um padrão em vários pontos aqui na cidade. No mesmo frame, somei a essa fotografia toda a atual polêmica em torno da natimorta ciclovia da Ipiranga (questionada pelos próprios ciclistas pela falta de planejamento, de segurança, de utilidade prática)… e aí tive a tal visão: os corredores de ônibus de Porto Alegre precisam ser convertidos em ciclovias! P#%@ que pariu… É ISSO!!!! A ideia de um milhão ali, bem na hora que parei em frente à faixa de segurança pra senhorinha atravessar com o carrinho de bebê, e uma Kombi quase passou por cima de mim, freando de arrastar os pneus, seguido de um solene xingamento do motora dorminhoco.

Abram a mente e pensem comigo: é perfeito! ÓBVIO que não é pra ser feito amanhã, néam gentchi?! É projeto pra daqui a 10/15 anos. Porto Alegre, a “Amsterdam dos Pampas”, com seu invejado tráfego de bicicletas, poluindo menos, botando a população em forma, saindo na capa de jornais do mundo todo. “Tá, mas e os ônibus?” – ah é… tem esse “detalhe”. Logicamente, saem dos corredores e vão para o meio dos carros.  “Bah, mas aí vai ser um inferno!” – ERRADO! Não esqueçam que ao optar pelas bicicletas, haverá menos carros transitando, hipervalorizando automaticamente o transporte coletivo como segunda opção de deslocamento na cidade. Sem dúvida, precisaríamos de mais linhas e itinerários, de menos tempo de espera, de uma tarifa menos salgada… blablablá. Sério: isso se resolve – o difícil mesmo é enxergar o plano e seus monumentais benefícios como um todo. É viável, confiem em mim – eu visualizei perfeitamente por dentro do capacete, enquanto o taxista bigodudo me prensava contra a calçada, tocando o carro por cima de mim sem ligar o pisca-pisca…

É tããããããão viável que não acredito que ninguém tenha cogitado isso antes. Seriam as ciclovias mais largas, seguras e transitáveis feitas no planeta, e já estão todas prontas – é só começar a usar, como já acontece parecido aos domingos, quando as magrelas se misturam aos joggers e aos bandos de tiozinhos sorvendo mate em cadeirinhas de praia. OK, teremos os dias de chuva e de frio de renguear cusco, nos quais andar de bicicleta, poncho e sombrinha será mesmo um pouco inconveniente, mas até lá o aeromóvel já estará voando sobre nossas cabeças, salvando o dia de quem, a essa altura do campeonato, nem lembrará como se engatam as marchas, por falta de uso. Repito: a implementação não é semana que vem, só o que precisamos pra ontem é nos darmos conta que do jeito que está o trânsito não dá mais, e IRÁ PIORAR! Não precisa começar pelo corredor da Assis Brasil ou pelo da Bento Gonçalves, que têm um volume colossal de ônibus. Comecem pela Terceira Perimetral, que surgiu como solução pra cruzar a cidade rapidamente, e hoje vê um T4 a cada 50 minutos passando vazio, enquanto milhares de carros não conseguem passar de 15 Km/h na volta pra casa.

Como a ideia não vale um milhão em espécie, torno pública pra que alguém a desenvolva junto à Prefeitura, EPTC, Associação dos Ciclistas, ONGs ambientais, PV ou qualquer corajoso com mais tempo e paciência que eu. Pode ser só um devaneio, mas pelo menos me distraiu enquanto estou aqui na Perimetral, tendo andado só 100 metros em 40 minutos de tranqueira. Quem sabe, daqui a 10 anos, eu ainda esteja sobre duas rodas, porém de uma bela bicicleta, com o ar mais puro, mais saudável e menos estressado do que hoje (VAI BUZINAR NO OUVIDO DA TUA VÓ, CORNO – NÃO TÁ VENDO QUE FECHOU O SINAL?!)