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Lápis 2B e papel

Eu desenhava muito quando era mais jovem. Por “muito” entenda-se quantidade. Passava os dias desenhando e minha primeira referência foram os gibis de super-heróis. Comecei copiando por cima, depois mudava a forma do uniforme e “criava” meus personagens. Fui evoluindo e passei a desenhar na folha em branco ao lado do gibi e mais tarde já dominava o traço e criava minhas próprias formas, e neste auto-aprendizado as vezes, para meu personagem ficar mais cool e imponente, apareciam músculos e proporções que não existiam de fato na anatomia humana. Me lembro que sempre tinha na minha mochila do colégio uma pasta com meus desenhos. Com o tempo aquela pasta se transformou em duas e pesava pra caramba nas costas e alguns desenhos foram rasgados mais de uma vez pelos valentões do colégio para me chatear (isso é considerado bullying ou violação de direitos autorais???)
Mas eu não me importava, não sei porque mas precisava ter meus desenhos por perto.

Cresci, passei a trabalhar em propaganda e por mais paradoxal que isso seja comecei a desenhar menos. Claro, o desenho ainda existe, pois não gosto de criar direto na tela do computador, sempre rabisco antes em folha de papel a ideia básica e a estrutura do layout. Mas não passam disso: rabiscos.

O traço mais refinado, o trabalho das proporções, a trama formando o sombreamento, a correção feita em inúmeras folhas de papel manteiga até se ter o desenho finalizado e devidamente protegido embaixo do nanquim ou do verniz em spray não é feito mais há algum tempo.

Um dos meus projetos é voltar a desenhar mais e agora pensando nisso que percebi depois de tanto tempo porque estava sempre com aquele peso nas costas.
Era para não esquecer de desenhar.