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STAR WARS EPISÓDIO 7: “UMA NOVA ESPERANÇA”… ¯\_(ツ)_/¯

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Buenas, como Star Wars – O Despertar da Força só estrearia na China quase um mês depois da estreia mundial, me mantive em silêncio pra ninguém no mundo reclamar que eu espalhei spoilers e, de alguma forma, estraguei o impacto das surpresas – todo mundo que me perguntava “E aí, o que tu achou do filme?” ouvia um seco “Não posso dizer nada. Nenhuma palavra.” Mas eu tinha que falar, eu precisava falar… na real, eu ainda preciso, e chegou a hora! Mas antes de começar, vou responder à outra pergunta que seguem me fazendo: “E aí, devo fazer a maratona dos episódios 1, 2, 3, 4, 5 e 6 antes de ir no cinema ver o 7?“. Não, não faz – corre pro cinema antes que os trolls (que estão descrevendo o filme nas redes sociais por puro espírito de porco) te encontrem e se deliciem estragando o filme pra ti, além de um outro motivo que ficará claro durante a leitura abaixo. Dito isso, foi tua última chance de escapar de spoilers cabulosos, detalhes do roteiro e de tudo mais que poderá influenciar tua opinião quanto àquele que foi o filme mais esperado dos últimos 30 anos. Portanto, apertem os cintos que entraremos agora no hiperespaço – próxima parada: as entranhas da mente e do coração de Jairo Piscitelli Jr., fã de Star Wars desde 1977, admirador do trabalho de J.J. “Lost” Abrams e espectador que assistiu três vezes ao filme antes de ter a mais absoluta certeza de tudo que você lerá a partir de… AGORA! [***SPOILER ALERT MODE: ON!!!!***]

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17 de dezembro de 2015. 02h20min da madrugada. Saída da sala de cinema na pré-estreia de O Despertar da Força. O Conselho Jedi Rio Grande do Sul em peso, todos devidamente cosplayzados, em lágrimas verdadeiras de emoção, se abraçando e compartilhando a experiência vivida minutos antes. Vou ainda atordoado em direção a eles, que me perguntam, com o sorriso nas orelhas e os olhos marejados: “E aí Jairo, o que tu achou???“. E abrindo o alçapão sob os pés deles, as primeiras palavras que saem da minha boca, rasgando o ar tal qual a Excalibur-de-Luz do Kylo Ren, foram: “Eu… eu… EU ODIEI!!!“. Surpreso(a) com a minha resposta? Eles também. Eu, idem…

Nem sei mais direito o que eu estava esperando do filme que retomaria com tudo a saga Star Wars – agora na Disney, agora sob a direção do glorioso J.J. “novo Spielberg das antigas” Abrams, com os atores originais, com a possibilidade de curtir todo esse buzz fantástico ao lado das minhas filhas Carolina (10 anos) e Bianca (5 anos). Mas uma coisa eu tenho certeza que eu não tava esperando: um control+C/control+V descarado do roteiro do “Episódio IV – Uma Nova Esperança” (o “Guerra nas Estrelas” original, para os leigos). Sério mesmo, gente: Estrela da Morte com um ponto fraco que um esquadrão de X-Wing destrói após alguém desligar o escudo pra eles? Uma cantina (com – quack! – uma banda da cantina!!!) onde alienígenas esquisitos de toda a galáxia se encontram pra tomar uns gorós e fazer negócios? Um(a) jovem sonhador(a) com uma vida monótona num planeta desértico, até encontrar um robô que carrega consigo uma informação sigilosa e responsável por mudar seu destino? Um vilão que recebe ordens via holograma de seu misterioso mestre? Pai e filho se confrontando em uma plataforma dentro da Estrela da Morte? Bah, meus amigos… peraí um pouquinho: com um infinito de possibilidades de roteiro nas mãos, POR QUE DIABOS REPETIRAM O ROTEIRO DO EPISÓDIO IV??? “Homenagem”? Ah, não vem com essa! Homenagem foi o Finn esbarrando na mesa de xadrez/dejarik na Millennium Falcon, ou encontrando a esfera de treino de sabre-de-luz do Luke, ou ainda seu nome-código ser FN-2187, o mesmo número da cela da Princesa Leia. POR QUE DIABOS FAZER UMA TERCEIRA ESTRELA DA MORTE COM UM PONTO FRACO ONDE UMA X-WING ATIRA E EXPLODE A PORRA TODA???? (“Base Starkiller”? Nah… eu sei reconhecer uma Estrela da Morte, afinal JÁ VI OUTRAS DUAS ANTES!!!). Na boa: morri de vergonha alheia, me deu uma enxaqueca fulminante durante o filme, um mal-estar profundo… enfim, uma frustração indescritível, que abafou coisas MUITO LEGAIS do Episódio 7 (todas as cenas da Falcon, as piadas e sacadas hilárias, a atuação de luxo do Harrison Ford, todas as cenas com o BB-8, a cena final com o Luke, a participação genial do 007 como o stormtrooper que leva um Jedi Mind Trick da Rey, e por aí vai). Depois daquela sequência matadora de teasers, trailers e TV spots, que nos encheram de dúvidas e vontade desesperadora de ver logo o filme pra ser apresentado às novidades, percebemos que elas não eram tão novas assim… sorte de quem viu direto o Episódio 7 sem ter visto os outros antes, perdendo com isso umas 3 ou 4 piadas e/ou referências, mas ganhando o ineditismo das soluções de roteiro, sem a broxante sensação de déjà vu a cada 30 segundos.

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Kylo Ren. Putz, esse merece um parágrafo só pra ele: o vilão MAIS MIMIMI de toda a galáxia, fazendo beicinho, soltando a pomba-gira e dando piti cada vez que alguma coisa dá errado foi demais pra minha cabeça! Dá licença, mas não honrou a farda preta e o sabre-de-luz mais irado dos 7 filmes da saga. Ver meu personagem preferido ser morto POR UM BUNDA MOLE DESSES me deixou ainda mais de cara!

E o que dizer da Capitã Phasma, a personagem que eu estava mais curioso pra conhecer? Aquela armadura cromada espetacular, todo o hype em torno da Gwendoline Christie, atriz de 2 metros de altura que matou a pau em Game of Thrones… tchê, A MINA APERTOU UM BOTÃO E DESLIGOU O ESCUDO QUE PERMITIU A EXPLOSÃO DA BASE STARKILLER! Meu, a Capitã do exército mais temido do universo… morre com honras militares (e tenta levar alguém junto) MAS NÃO DESLIGA O ESCUDO, PORRA! Que personagem patético – coitado de quem comprou as action figures dessa songa-monga, que foi parar onde? No compactador de lixo do Episódio IV… detonaram um personagem com um baita potencial SÓ PRA FAZER UMA PIADA INTERNA? Se voltar pros próximos episódios, que moral vai ter?

Nem o vovô-gênio John Williams se salvou – não tem um tema musical novo relevante nesse filme (como foi Duel of Fates, um dos grandes destaques do detestado Episódio I). Os principais momentos de O Despertar da Força são marcados pelas boas (ótimas!) e velhas músicas que todos já conhecemos e identificamos de cara. Bom, pelo menos na cena da cantina mudaram a trilha usada no Episódio IV: trocaram ela POR UM REGGAE!!!!!!). #WTF

A lista de decepções parece não acabar nunca: C-3PO de bracinho vermelho só pra vender as action figures dele neste episódio (não fosse esse detalhe, o boneco seria igual ao dos outros filmes e não venderia – estratégia já usada antes no Watto, o dono do ferro-velho onde trabalhava o Anakin guri. A diferença dele nos Episódios I e II é um chapeuzinho… ou seja, usaram o velho truque)! Maz Kanata… ou a “nova Yoda”: personagem chato, sem sal e que não agrega nada interessante à saga. General Hux… ou o “novo Tarkin”: personagem chato, sem sal e que não agrega nada interessante à saga (viram como o control+C/control+V é irritante?). Resumindo: fui pra casa de cabeça inchada, ao ver que o sonhado O Despertar da Força era praticamente o Uma Nova Esperança de bracinho vermelho e chapeuzinho, pra vender novamente. Me deu insônia e uma vontade incontrolável de berrar: “se era pra fazer isso, VOLTA GEORGE LUCAS”! 😦

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Na noite seguinte, fui de novo ao cinema, agora com a minha esposa Karina e a Carol, sem ter dito pra elas que tinha detestado o filme. Refleti o dia inteiro a respeito, li todas as opiniões que encontrei e cheguei à única conclusão possível, que finalmente me fez relaxar – e se até aqui você estava sentindo o mesmo que eu, relaxe também: O Despertar da Força, apesar de ninguém ter dito isso antes ou admitir isso agora, nada mais é do que UM REBOOT DO EPISÓDIO IV! Só isso justifica tantas “homenagens” no roteiro: a Disney deve ter exigido “a mesma magia de quando Star Wars foi lançado em 1977”, para trazer a boa (maravilhosa!) e velha saga para o século XXI com tecnologia e efeitos modernos, mas a aura original. E isso deve ter sido cobrado ao pé da letra em reuniões da Diretoria da empresa com os produtores do filme. Ou melhor (pior), literalmente: “Rapaziada, o que tinha no Episódio IV que encantou as pessoas e fez o filme virar febre mundial? Estrela da Morte! Cantina! Banda da Cantina! Planeta desértico! Vilão que recebe ordens via holograma do mestre (nãopéra… isso foi do segundo filme… esquece!). Entenderam o que eu quero dizer, né? Com medo de errar, devem ter fuçado no roteiro a tal ponto que em vez do JJ ser obrigado a parir um frankenstein, preferiu fazer um reboot digno, decente, ainda com o DNA de Star Wars. Bando de cagões! Bom, pra quem não sabe, isso é apenas um dia normal de trabalho no Departamento de Criação de qualquer agência de propaganda – “o cliente está pagando, faz o que ele pediu: aumenta o logotipo e põe um splash com a promoção”…

E aí, pensando em um reboot, relaxei… e consegui apreciar mais as coisas boas do filme! Curti ainda mais os rasantes da Millennium Falcon em Jakku; os “diálogos” do BB-8 (a hora que ele retribui o joinha pro Finn é genial!); percebi que o beicinho do Kylo ilustra a imaturidade do personagem, abrindo brecha pros próximos filmes trazerem seu amadurecimento; viajei na interpretação da Rey, tentando entender a rapidez com que aprendeu a manejar um sabre-de-luz, apesar de minutos antes achar que os Jedi eram só uma lenda. E saí mais leve do cinema, sem dar bola para os plots xerocados – afinal, é um reboot, e reboots não podem/devem alterar os plots do roteiro original, confere BB-8?

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Dias depois, acabei indo ao cinema pela terceira vez (como tinha visto legendado, a Carol não conseguiu acompanhar direito a história – então, fomos eu, ela e a Bibi ver a versão dublada). E aí, meus amigos, foi pura curtição! Que furo de roteiro o que – STAR WARS TÁ DE VOLTA, GALERA!!! Terceira Estrela da Morte? Nem notei – tava roubando uma mãozada de pipoca no balde da Carol… e no sorriso das minhas filhas, finalmente me dei conta que não passo de um intruso na relação desta terceira trilogia de Star Wars com seu novo público, do qual minhas filhas fazem parte (uma “Nova Esperança” de preservar essa paixão louca e incompreensível que as outras gerações tiveram pela saga). Foi pra elas que Star Wars voltou, com protagonista mulher, herói negro e tudo mais que fala a mesma língua dessa tchurminha. E se há elementos parecidos (iguais?) aos da saga original, parabéns ao gênio que soube usar, naquela época jurássica, uma linguagem universal e atemporal, que ainda consegue cativar hordas de fãs após tantos anos.

Será Snoke o mesmo Darth Plagueis, o mestre Sith que sabia “criar vida” supostamente morto por Palpatine? Terá Rey usado a Força sob influência mental de Luke, emanada via WiFi-Jedi lá da ilha? Aliás, será que ela é filha de Luke, de Obi-Wan ou irmã gêmea do Kylo, separada dele no nascimento? (hmmm… acho que já vi isso ant…bom, deixa pra lá!). Dúvidas e mais dúvidas com data certa pra serem solucionadas: 25 de maio 15 de dezembro de 2018***, em pré-estreia, na sessão da 00h01min – vocês eu não sei, mas eu estarei lá com minha esposa, minhas filhas e nossos baldes de pipoca, ansiosos por mais duas horas e meia de curtição (gurias… WE´RE HOME!!!)! [***mudaram a data – entre os motivos, estão reescrevendo o roteiro porque, segundo os produtores, “ESTAVA FICANDO MUITO PARECIDO COM O IMPÉRIO CONTRA-ATACA”… bah, fala sério! 😦 ]

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