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O bom senso que falta na CBF

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“… informo que foi respeitado um minuto de silêncio pelas vítimas da tragédia das Filipinas!”
Francisco Carlo do Nascimento – Árbitro de Grêmio X Vasco

“… homenagem antes do início da partida através de um minuto de silêncio ao Sr. Elder de Lima Chagas, conforme solicitação do documento apresentado pela Federação Bahiana!”
Paulo Godoy Bezerra – Árbitro de Vitória x Cruzeiro

“… foi respeitado um minuto de silêncio em homenagem póstuma ao Sr. Mauricio Assunção, genitor do presidente do Botafogo!”
Emerson de Almeida Ferreira – Árbitro de Botafogo x Portuguesa

Acima apenas 3 das citações feitas em súmula por árbitros que atuaram na 34ª Rodada do Campeonato Brasileiro de 2013. Todas dentro de contexto em circunstâncias normais, mas o que ocorreu nos jogos da rodada foi tudo menos normal. Nesta rodada o Bom Senso F.C. promoveu uma manifestação pacífica a ser feita no ínicio das partidas e que consistia nos jogadores ficarem por 30 segundos de braços cruzados. Nada de discurso político, ações agressivas ou atos excessivos. Apenas a representação da força que um cruzar de braços tem.

Nada acontece.

E quem dirige o nosso futebol sentiu o baque. Sentiu a ponto de organizar uma campanha de desinformação e ocultamento envolvendo a Comissão de Arbitragem e as Federações Regionais para evitar que as manifestações do Bom Senso F.C. ganhassem reconhecimento oficial pelo menos em documentos da CBF. Assim todas as súmulas relataram as partidas como se nada tivesse acontecido.

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Ignorar e evitar que uma ação contrária aos seus interesses ganhe contornos oficiais é uma antiga tática que o atual presidente da CBF (e também antigo Governador Biônico da ditadura em SP) conhece muito bem, afinal manter o assunto a margem dos canais oficiais favorece o discurso de que ainda não há um posicionamento formal dos descontentes e que por isso não há como se posicionar perante suas propostas.

Assim os detentores dos canais oficias se colocam na posição de estarem sempre com as “portas abertas” para o debate quando o que querem na verdade é ganhar tempo e achar meios de sufocar o movimento contrário.

Para quem está no poder este tipo de manobra se torna essencial quando as pessoas que compõem o movimento contrário são peças importantes no cenário geral de seus interesses. Afinal não há futebol sem jogadores e a CBF sabe disso. Não há como substituí-los e enfrentá-los seria abrir um debate que não é de seu interesse e muito menos de sua maior associada, a Rede Globo, que é detentora dos direitos de transmissão do futebol no Brasil.

O que a entidade parece ignorar é que a informação já não depende mais exclusivamente de canais oficiais para sobreviver e ser passada adiante. A internet com seus fóruns de discussão, redes sociais e blogs ou meios de comunicação digitais independentes da mídia de massa replicaram a manifestação do Bom Senso F.C. a exaustão nos últimos dias. A manobra das súmulas deixa claro que os cartolas da CBF querem ganhar tempo a todo custo, pois faltam 3 rodadas para o fim do Brasileirão e eles acreditam que o movimento deva se esvaziar logo que começar o recesso de final de ano no futebol.

Mas até o calendário joga contra a CBF e sua pressa, pois as últimas 3 rodadas serão jogadas apenas aos fins de semana, deixando muito tempo para os líderes do Bom Senso F.C. se mobilizarem entre uma partida e outra. E o grupo já mostrou sua capacidade de mobilização até mesmo diante de fatos inesperados como a ameaça do árbitro Alicio Pena Júnior de dar cartão amarelo a quem cruzasse os braços em protesto no jogo de São Paulo X Flamengo.

O que se viu foi histórico.

E o malandro deu a letra

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“Esta palhaçada vai piorar quando faltar um ano e meio para o mundial. O pior está por vir, porque o governo irá viabilizar as obras emergenciais, que não precisam de licitações. Por isso, estamos fadados a assistir ao maior roubo da história do Brasil!”
Romário

Pode ser que com estas palavras Romário tenha feito seu primeiro (talvez único) gol memorável como parlamentar. Isso foi publicado no seu Facebook em março de 2012, mas o tempo e as atitudes do Governo só vem confirmando sua declaração.

Justo ele, que mais do que ninguém soube se aproveitar das fraquezas da defesa adversária, e por isso mesmo pode constatar: o povo brasileiro tem uma defesa medíocre ante a voracidade dos atacantes corruptos de nosso Governo e da FIFA. Os números estão ai a nos provar a realidade destas palavras. Orçamentos pulam de 600 milhões para 1,2 bilhão em meros canetaços e muitos dizem que isso é normal em obras deste porte. É incrível a facilidade com que a fantasia da retórica sobrepuja a realidade da matemática. Algumas vozes até se levantam e tentam fazer a maioria ouvir a razão, mas acabam abafadas por manobras de uma imprensa conivente e embevecida por seu papel neste teatro, pra não dizer completamente vendida. Neste cenário se cria a oportunidade, e se há oportunidade há ladrões, e isso temos de sobra, seja em gabinetes parlamentares ou nas diretorias de empresas e entidades.

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No final o povo brasileiro vai acabar como alguns zagueiros vencidos por Romário. Tontos, caídos no gramado, vendo o goleiro ir pegar mais uma bola no fundo do gol e se perguntando como isso aconteceu.

O gol do futuro

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O costume já existe há tempo, mas era considerado coisa de boteco ou bar “pé-sujo” e portanto ficava restrito a periferia e locais menos favorecidos. Mas com a prática ganhando cada vez mais adeptos a cada 4 anos durantes as Copas do Mundo o hábito de ver jogos de futebol se estenteu até a pubs e bares mais refinados. Hoje até rodadas de campeonatos regionais são vistas regadas a chopp em bares.

E com o hábito vieram as regras de convivência e umas delas está em xeque desde o início das Transmissões Digitais: o radinho ou fone de ouvido durante os jogos.

Como nas Transmissões Digitais há um delay médio de 5 segundos (mas já vi delays com mais de 7 segundos) quem acompanha o jogo pelo rádio fica “sabendo” do gol antes. Os sem noção comemoram, outros se seguram, mas o fato é que quem usa o fone de ouvido acaba virando “referência” e cada jogada de seu time fica marcada por uma discreta espiadela no carinha com fone. Se ele se alterar, mesmo que esboçando o mínimo sorriso, feito… é gol… se continuar impassível seeeeegue o jogo.

Falo isso porque tem um bar perto da minha casa onde gosto de ver os jogos e, realmente, fica muito chato dois ou três torcedores gritarem gol antes de se ver o próprio chute pela TV. Até porque a cena seguinte é patética: você não sabe se pula e comemora junto ou se vê a jogada até o final pela TV. Geralmente você acaba se perdendo entre um e outro.

Há várias desculpas usadas pelos que defendem o uso dos fones, mas esta atitude acaba privando o prazer dos demais em ver e comemorar os gols do seu time em “tempo real” por assim dizer. Alguns lugares proíbem o uso de fones durante os jogos, mas são poucos pois uma “proibição” sempre é mal vista. Acredito que o que falta é bom-senso em perceber que se está estragando a diversão de outras pessoas, pois mesmo sendo um hábito particular é preciso pensar que se esta em um ambiente com mais pessoas e por isso afetadas pelos seus atos.

No fundo acho a atitude meio egoísta e acabo fazendo uso de outra prerrogativa em bares: a mesa é de quem chegar primeiro. Por isso prefiro que não usem os fones se estiverem na minha mesa. Até me atendem às vezes, mas sempre acabo passando por indelicado e no final um tiozinho lá no fundo do bar acaba gritando “gol”  mesmo assim.

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Futebol Pop Star!

Gosto de futebol independente de bairrismos e clubismos e já vi grandes seleções, desde as geniais e mágicas até as raçudas e pragmáticas. Mas uma coisa em comum a todas elas é a atitude.

Ter atitude dentro de campo supera forças e fraquezas, ela independe de esquema tático ou de premiações. Ela pode e deve ser incutida no grupo para se ter um time que supere adversidades, as vezes, muito acima de suas capacidades.

Atualmente nossa seleção vive uma vitrine tão milionária e pautada por ações de marketing pessoal que a atitude e o comprometimento em campo perdem de longe para o jogo de cena, a vaidade e o estrelismo.

Jogar futebol virou commoditie.

E pior, o jogador de futebol virou um produto altamente perecível. Com data de início e fim. O importante é aproveitar enquanto dá e individualizar as conquistas, valorizar o passe e ser tornar pop.

O vital deixou de ser o treino, o time, o aprimoramento e passou a estar nos Trending Topics, nos Twitters e Facebooks, fazer bonito nas coletivas de imprensa, estar na mídia e virar cartinha marcada em programas globais.

Foi-se o tempo em que ser chamado para a seleção era motivo de orgulho e de reconhecimento. Hoje para muitos, ser selecionável é primordialmente uma oportunidade comercial, uma chance de ganhar muito entregando pouco ou quase nada.

E o futebol??? Aquele bem jogado, tabelado e de fino trato da bola que já maravilhou o mundo, bom… este fica para quando der tempo.