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PEDALA, PORTO ALEGRE!

Eu tive uma visão. Dizem que as “ideias de um milhão” são as mais absurdamente simples, que estavam se esfregando na nossa cara o tempo todo, só faltando serem percebidas – e este foi o caso. Só lamento profundamente que ela não me dará um milhão, servindo “apenas” pra transformar Porto Alegre na cidade-exemplo de urbanismo, preservação ambiental e valorização da vida como a conhecemos…

Primeiro, a história: estava eu, de moto, meio-dia, preso no trânsito infernal da Érico Veríssimo. Níveis de poluição e monóxido de carbono muito acima do tolerável, buzinaço típico de conquista de Copa do Mundo, irritação latente crescendo em PG e o pensamento de que a tendência, com o passar dos anos, será de considerável piora neste legítimo quadro de Dalí. Neste instante, olho para a esquerda e vejo o corredor de ônibus vazio, sem nenhum coletivo transitando nos 2 Km de extensão do trecho – um padrão em vários pontos aqui na cidade. No mesmo frame, somei a essa fotografia toda a atual polêmica em torno da natimorta ciclovia da Ipiranga (questionada pelos próprios ciclistas pela falta de planejamento, de segurança, de utilidade prática)… e aí tive a tal visão: os corredores de ônibus de Porto Alegre precisam ser convertidos em ciclovias! P#%@ que pariu… É ISSO!!!! A ideia de um milhão ali, bem na hora que parei em frente à faixa de segurança pra senhorinha atravessar com o carrinho de bebê, e uma Kombi quase passou por cima de mim, freando de arrastar os pneus, seguido de um solene xingamento do motora dorminhoco.

Abram a mente e pensem comigo: é perfeito! ÓBVIO que não é pra ser feito amanhã, néam gentchi?! É projeto pra daqui a 10/15 anos. Porto Alegre, a “Amsterdam dos Pampas”, com seu invejado tráfego de bicicletas, poluindo menos, botando a população em forma, saindo na capa de jornais do mundo todo. “Tá, mas e os ônibus?” – ah é… tem esse “detalhe”. Logicamente, saem dos corredores e vão para o meio dos carros.  “Bah, mas aí vai ser um inferno!” – ERRADO! Não esqueçam que ao optar pelas bicicletas, haverá menos carros transitando, hipervalorizando automaticamente o transporte coletivo como segunda opção de deslocamento na cidade. Sem dúvida, precisaríamos de mais linhas e itinerários, de menos tempo de espera, de uma tarifa menos salgada… blablablá. Sério: isso se resolve – o difícil mesmo é enxergar o plano e seus monumentais benefícios como um todo. É viável, confiem em mim – eu visualizei perfeitamente por dentro do capacete, enquanto o taxista bigodudo me prensava contra a calçada, tocando o carro por cima de mim sem ligar o pisca-pisca…

É tããããããão viável que não acredito que ninguém tenha cogitado isso antes. Seriam as ciclovias mais largas, seguras e transitáveis feitas no planeta, e já estão todas prontas – é só começar a usar, como já acontece parecido aos domingos, quando as magrelas se misturam aos joggers e aos bandos de tiozinhos sorvendo mate em cadeirinhas de praia. OK, teremos os dias de chuva e de frio de renguear cusco, nos quais andar de bicicleta, poncho e sombrinha será mesmo um pouco inconveniente, mas até lá o aeromóvel já estará voando sobre nossas cabeças, salvando o dia de quem, a essa altura do campeonato, nem lembrará como se engatam as marchas, por falta de uso. Repito: a implementação não é semana que vem, só o que precisamos pra ontem é nos darmos conta que do jeito que está o trânsito não dá mais, e IRÁ PIORAR! Não precisa começar pelo corredor da Assis Brasil ou pelo da Bento Gonçalves, que têm um volume colossal de ônibus. Comecem pela Terceira Perimetral, que surgiu como solução pra cruzar a cidade rapidamente, e hoje vê um T4 a cada 50 minutos passando vazio, enquanto milhares de carros não conseguem passar de 15 Km/h na volta pra casa.

Como a ideia não vale um milhão em espécie, torno pública pra que alguém a desenvolva junto à Prefeitura, EPTC, Associação dos Ciclistas, ONGs ambientais, PV ou qualquer corajoso com mais tempo e paciência que eu. Pode ser só um devaneio, mas pelo menos me distraiu enquanto estou aqui na Perimetral, tendo andado só 100 metros em 40 minutos de tranqueira. Quem sabe, daqui a 10 anos, eu ainda esteja sobre duas rodas, porém de uma bela bicicleta, com o ar mais puro, mais saudável e menos estressado do que hoje (VAI BUZINAR NO OUVIDO DA TUA VÓ, CORNO – NÃO TÁ VENDO QUE FECHOU O SINAL?!)