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Eu X O que tenho!

Já havia visto este ensaio da fotógrafa Sannah Kvist rolando pela internet há algum tempo. Com estúdio em Estocolmo na Suécia ela mostra amigos em seus apartamentos ou quartos ao lado de tudo o que possuem. Também vi em mais de um blog textos comentando sobre como estas pessoas optaram por ser um contra-ponto ao ideal consumista das últimas décadas como forma de lidar com seus desejos e frustrações e até como sua atitude ajuda a reduzir o impacto ambiental em nosso planeta.

Tudo muito bonito… mas irreal!!! Faltou uma pesquisa mais a fundo para ver do que realmente o ensaio tratava.

O que a fotógrafa realmente mostrou foi como a sua geração lida com o consumismo perante uma verdade histórica: a geração sueca dos anos 80 é a primeira que é financeiramente pior que seus pais.

A renda e o padrão de vida continuam altos em comparação com o resto do Mundo e até mesmo dentro da Europa, o que muda é a segurança: antes a vida era estável, a maioria tinha seu próprio imóvel e suas carreiras profissionais era sem maiores sobresaltos. Hoje a realidade desta geração  é completamente diferente, tudo é temporário, desde os contratos de trabalho até as moradias. Talvez por esta falta de sentimento de posse ela seja descrita como egoísta e mais materialista do que as anteriores.

” – Eu diria que todos compramos mais e mais,
e muito do que nós compramos,

é utilizado para afirmação de nós mesmos!”

Sannah Kvist

Em entrevista ao jornal alemão Die Zeit – em seu caderno Zeit Campus – a própria fotógrafa relata a forma como este comportamento se refletiu nas pessoas do ensaio. Primeiramente elas empilhavam a esmo seus bens e logo depois começavam a colocar mais a frente os bens de que mais se orgulhavam. Portanto o consumismo persiste, o que muda é a relação das pessoas com suas posses. Tão logo algo não traga mais a satisfação desejada ela é descartada e substituída. Algo compreensível em uma realidade de apartamentos alugados.

Esta postura está criando uma “geração descartável” que ainda luta contra o consumismo, mas que não se melindra em se reinventar constantemente, seja por exigência ou opção, mudando sua casa, seu trabalho ou mesmo suas posses mais caras.