ROGUE ONE: A VINGANÇA DOS FÃS DE STAR WARS

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Um ano depois de O Despertar da Força dividir opiniões mundo afora, Rogue One (ou “R1”, pra encurtar e facilitar a escrita) chega para sacramentar a promessa da Disney de um revezamento entre sequências da saga original (episódios 7, 8, 9 e só Deus sabe quantos mais) e histórias avulsas dentro do vasto universo de Star Wars. Ou seja, uma fartura de filmes capaz de desafiar as exigências e bolsos dos mais vorazes fãs, bombardeados por novos elementos, personagens, informações, especulações e – claro – milhões de produtos. Resultado: já tem gente reclamando e carregando nas críticas, dando verdadeiros tiros de Estrela da Morte na intenção de dizimar os planos que os herdeiros do tio Walt têm para o futuro de Star Wars. Pois a este império de chatonildos, a este exército de “intelectuais”, que oprime a galáxia com o poder sombrio do mimimi, eu brado de cima das áridas colinas de Jeddah com meu blaster erguido: “I REBEL!”.

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Vivi a seca entre O Retorno de Jedi em 1983 e a edição especial do “Velho Testamento” (a trilogia original, episódios 4, 5 e 6) com novos efeitos em 1997, período em que, sem internet (sim, já existiu), os fãs vagavam a esmo no deserto da desinformação, atrás de qualquer migalha que pudesse saciar a paixão pela saga. Não é agora, quando finalmente a Força está com a gente, que iremos nos entregar sem luta. Rápido, não temos tempo a perder – suba a bordo do meu textão sobre R1 e me ajude a roubar os planos de quem não teve infância e quer acabar com a nossa diversão! BORA!!!!!! [nem preciso dizer, mas enfim: ******FESTIVAL MUNDIAL DE SPOILERS DE ROGUE ONE ABAIXO!*****. VÁ VER O FILME PRIMEIRO E VOLTE AQUI DEPOIS PRA CONFERIR O QUE EU ACHEI]

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E pra já deixar bem claro logo de cara: diferentemente do Episódio 7, EU ADOREI ROGUE ONE – me diverti, me emocionei e o mais legal de tudo, me SURPREENDI. Não estava esperando que esta despretensiosa aventura fosse, na verdade, o EPISÓDIO 3.9 DA SAGA STAR WARS! Os 15 minutos finais de R1 são magia pura, um prêmio a todos que se dedicam a cultuar a história criada “há muito tempo atrás” por George Lucas, a qual parece mesmo estar agora em boas mãos. Não achei um filme perfeito, nota 10, “o segundo melhor da saga, só atrás de O Império Contra-Ataca” como tenho lido. Mas é sem dúvida um baita filme – divertido, tenso, com o DNA de Star Wars, mas com um algo a mais que ainda não tínhamos visto, nem sabíamos que era permitido ter. E o que mais me incomodou da pré-estreia até agora é o termo “Fan Service”, a mais nova invencionice dos críticos pra designar os elementos incluídos na história “só para agradar/homenagear os fãs” (easter eggs, personagens de outros episódios, etc). Assim, ó – encarnando aqui toda a brutal sinceridade do genial K-2SO (o “Sheldon Cooper dos robôs“): VÃO SE CATAR! Este é o oitavo filme da saga Star Wars para o cinema, sem contar todo o resto – É ÓBVIO que não é um filme pra quem nunca viu nada, pra quem não conhece o Darth Vader, pra quem acabou de chegar de outro planeta e não sabe o que é Star Wars (será que em algum planeta do universo alguém ainda não conhece Star Wars?). Que papinho de gente mal-amada, de quem tem inveja da diversão dos outros e fica desdenhando pra diminuir a alegria alheia. Pega tua empáfia e vai de mão dada com ela ver filme independente europeu e nos deixa em paz, seu xarope!

Traduzindo: não acho possível gostar de R1 sem conhecer a história (muito menos entender direito o que está rolando). Apesar dos vários novos personagens e planetas nunca antes citados, a armadilha emocional está nos detalhes, na bagagem que já temos para saber a real importância da missão daquela valorosa “mini-legião estrangeira” atrás do HD mais valioso das galáxias. Baita sacada o “furo de roteiro” que sempre foi aquele bueiro destapado na Estrela da Morte ser proposital – ideia de quem parece ter estudado a fundo Star Wars, a ponto de perceber também a importância do Tarkin para viabilizar esta trama, e assim não medir esforços para construir o mais perfeito CG que eu já vi! Meu cérebro levou algumas cenas pra entender que era computação gráfica, e não um ator maquiado para se parecer com o finado Peter Cushing (tanto que só consegui ler as legendas ou prestar atenção nas falas dele na segunda vez que vi o filme). Parabéns aos responsáveis!

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Darth Vader… o que dizer? Questionei sua aparição em R1, achava que era só um chamariz, sentia que não seria relevante para a história… bah, errei feio, errei rude: MATOU A PAU!!!! Não estava esperando a cena final, achei que seria só aquela ponta (bacana) no meio do filme, em seu castelo/spa em Mustafar (bem que podia ter “menas” névoa naquele tubo pra vermos melhor ele queimado lá dentro, heinhô?). Mas não: tivemos FINALMENTE o temido Darth Vader ARREGAÇANDO, sujando as mãos como se não houvesse amanhã, sabrando ao meio quem tava na frente com uma crueldade que George Lucas sempre escondeu da gente, certamente com medo do que diria a “patrulha do politicamente correto”… pois a vocês foi dado o recado: #CHUPEM! \m/

Em meio a batalhas dignas do início do Resgate do Soldado Ryan, com tiro comendo pra tudo quanto é lado, uma obra-prima me fez engasgar: trechos de pilotos rebeldes (o Red Leader e o Gold Leader) não usados no Episódio IV em 1977, remasterizados e inseridos com precisão cirúrgica nas cenas do ataque à base imperial em Scarif… quando vi a primeira vez pensei: “HEI – EU CONHEÇO ESSES DOIS!”, mas assim como o Tarkin 3D, não consegui decifrar de imediato a genialidade de quem bolou essa homenagem fantástica aos fãs, que se junta ao leite azul na casa da Jyn e ao esbarrão dela na dupla de arruaceiros da Cantina pelas ruas de Jeddah como verdadeiros “Disney Magical Moments“, algo que está na cartilha de quem trabalha lá, e que foi executado com maestria pelos roteiristas de R1.

A narrativa ao estilo zapping, cortando as cenas para os nomes dos lugares escritos na tela (em vez das clássicas transições “persiana horizontal do powerpoint”) deram personalidade ao filme, que teve a macheza de não abrir com o roll amarelo, nem com o nome Star Wars gigante na tela. Não temos nem os temas musicais originais por completo, só pequenos trechos que já emendam em ambientações sonoras perfeitas pra porradaria comer solta. Ponto para a coragem de não se importar com as reclamações dos xiitas, ponto para quem soube fazer igual mas diferente, ponto para quem nos mostrou através do microscópio uma história que já havia sido contada, revelando novas camadas de drama, emoção e diversão.  IMPOSSÍVEL não sair do cinema sem morrer de vontade de chegar logo em casa pra rever Uma Nova Esperança, agora sabendo o parto de cócoras sem anestesia que foi entregar aquele pen drive pra Leia. Rogue One, um filme que nos mostrou o calibre de possibilidades e todo o potencial de destruição de críticas que possui essa “Estrela da Morte criativa” da Disney. Ansioso já por dezembro de 2017, para mais um capítulo da “Vingança dos Fãs de Star Wars” contra os chatos de plantão! (abaixo, eu passando por cima das lágrimas dos críticos após ter visto R1… eu já disse #CHUPEM hoje?)

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E agora, tendo ficado bem claro que adorei Rogue One como um todo, seguem em tópicos algumas coisas que não curti muito. É apenas a minha opinião, de fã sob forte emoção, de alguém que ama Star Wars desde 1977, que não invalidam em hipótese alguma a existência do filme – não se ofendam, não me ofendam (muito), não terminem amizade comigo por causa disso, ok? Afinal, ainda teremos muitas filas de pré-estreia juntos pela frente…

  • Achei que a Princesa Leia não precisava ter se virado para a câmera no final – já estava entendido que era ela e a emoção da cena estava garantida. Ao virar, o CG não pareceu tão perfeito como o do Tarkin (me lembrou até um boneco de cera), mas não foi nada que tirasse o brilho daquele momento sensacional.

 

  • Opinião pessoal: acho estranho a Força ser cultuada por não-Jedis. Não me parece certo a expressão “Que a Força esteja conosco/com você” ser banalizada e usada normalmente por todo mundo. Deveria ser algo incompreensível, inexplicável, que quando controlado dá poderes incríveis à pessoa, como vimos na trilogia clássica (esqueçam os Midi-Chlorians!). O que se entende é que o ceguinho Chirrut tem a Força em estado bruto como tinha o Anakin piá, e ao não ter recebido treinamento adequado, não desenvolveu as habilidades necessárias pra virar Jedi. Mas no fim a coisa virou zona: até a Jyn cita a Força em vão… sei lá, não gostei.

 

  • Sabemos que houve refilmagens depois que o filme estava pronto, mas a coisa deve ter sido mais feia do que imaginávamos. Há VÁRIAS cenas nos trailers que não estão no filme, inclusive algumas em que nitidamente a proposta era outra, como a Jyn e o Cassian correndo com os planos da Estrela da Morte pela praia, e não lá em cima da torre. Tiraram também as iradas cenas dos stormtroopers com água pela canela, do Tie Fighter surgindo na frente da Jyn na plataforma da antena e do Krennic passando com a capa por cima da água, entre outras… alguém deve ter enfartado nessa brincadeira!

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  • Felicity Jones está OK como Jyn Erso, mas pra mim longe daquela atriz que concorreu ao Oscar pelo baita papel em A Teoria de Tudo. Não conseguiu acrescentar um algo a mais no clichê da jovem heroína de ação – comparando, achei a Rey da Daisy Ridley melhor. Pena…

 

  • Death Troopers. Como seria esta tropa de elite do império? Olha o nome, olha a farda preta, olha a quantidade de action figures especiais… mas não passaram de guarda-costas do Krennic, como a guarda real do Imperador (aqueles todos de vermelho). Acabaram não dizendo a que vieram, erram tiro à queima-roupa igualzinho aos bons e velhos stormtroopers… decepcionante.

 

  • Preferia que a ponta do C-3PO e do R2-D2 tivesse acontecido não perdida lá em Yavin, mas já dentro da Tantive IV com a Leia na última cena do filme. Seria beeeeeem menos forçado (assim pareceu só pra dizer que os dois estão presentes em todos os episódios da saga).

 

  • E encerrando: alguém sabe onde tá o abaixo-assinado pra essa cena ANTOLÓGICA abaixo entrar na versão estendida de Rogue One? 😉

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STAR WARS EPISÓDIO 7: “UMA NOVA ESPERANÇA”… ¯\_(ツ)_/¯

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Buenas, como Star Wars – O Despertar da Força só estrearia na China quase um mês depois da estreia mundial, me mantive em silêncio pra ninguém no mundo reclamar que eu espalhei spoilers e, de alguma forma, estraguei o impacto das surpresas – todo mundo que me perguntava “E aí, o que tu achou do filme?” ouvia um seco “Não posso dizer nada. Nenhuma palavra.” Mas eu tinha que falar, eu precisava falar… na real, eu ainda preciso, e chegou a hora! Mas antes de começar, vou responder à outra pergunta que seguem me fazendo: “E aí, devo fazer a maratona dos episódios 1, 2, 3, 4, 5 e 6 antes de ir no cinema ver o 7?“. Não, não faz – corre pro cinema antes que os trolls (que estão descrevendo o filme nas redes sociais por puro espírito de porco) te encontrem e se deliciem estragando o filme pra ti, além de um outro motivo que ficará claro durante a leitura abaixo. Dito isso, foi tua última chance de escapar de spoilers cabulosos, detalhes do roteiro e de tudo mais que poderá influenciar tua opinião quanto àquele que foi o filme mais esperado dos últimos 30 anos. Portanto, apertem os cintos que entraremos agora no hiperespaço – próxima parada: as entranhas da mente e do coração de Jairo Piscitelli Jr., fã de Star Wars desde 1977, admirador do trabalho de J.J. “Lost” Abrams e espectador que assistiu três vezes ao filme antes de ter a mais absoluta certeza de tudo que você lerá a partir de… AGORA! [***SPOILER ALERT MODE: ON!!!!***]

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17 de dezembro de 2015. 02h20min da madrugada. Saída da sala de cinema na pré-estreia de O Despertar da Força. O Conselho Jedi Rio Grande do Sul em peso, todos devidamente cosplayzados, em lágrimas verdadeiras de emoção, se abraçando e compartilhando a experiência vivida minutos antes. Vou ainda atordoado em direção a eles, que me perguntam, com o sorriso nas orelhas e os olhos marejados: “E aí Jairo, o que tu achou???“. E abrindo o alçapão sob os pés deles, as primeiras palavras que saem da minha boca, rasgando o ar tal qual a Excalibur-de-Luz do Kylo Ren, foram: “Eu… eu… EU ODIEI!!!“. Surpreso(a) com a minha resposta? Eles também. Eu, idem…

Nem sei mais direito o que eu estava esperando do filme que retomaria com tudo a saga Star Wars – agora na Disney, agora sob a direção do glorioso J.J. “novo Spielberg das antigas” Abrams, com os atores originais, com a possibilidade de curtir todo esse buzz fantástico ao lado das minhas filhas Carolina (10 anos) e Bianca (5 anos). Mas uma coisa eu tenho certeza que eu não tava esperando: um control+C/control+V descarado do roteiro do “Episódio IV – Uma Nova Esperança” (o “Guerra nas Estrelas” original, para os leigos). Sério mesmo, gente: Estrela da Morte com um ponto fraco que um esquadrão de X-Wing destrói após alguém desligar o escudo pra eles? Uma cantina (com – quack! – uma banda da cantina!!!) onde alienígenas esquisitos de toda a galáxia se encontram pra tomar uns gorós e fazer negócios? Um(a) jovem sonhador(a) com uma vida monótona num planeta desértico, até encontrar um robô que carrega consigo uma informação sigilosa e responsável por mudar seu destino? Um vilão que recebe ordens via holograma de seu misterioso mestre? Pai e filho se confrontando em uma plataforma dentro da Estrela da Morte? Bah, meus amigos… peraí um pouquinho: com um infinito de possibilidades de roteiro nas mãos, POR QUE DIABOS REPETIRAM O ROTEIRO DO EPISÓDIO IV??? “Homenagem”? Ah, não vem com essa! Homenagem foi o Finn esbarrando na mesa de xadrez/dejarik na Millennium Falcon, ou encontrando a esfera de treino de sabre-de-luz do Luke, ou ainda seu nome-código ser FN-2187, o mesmo número da cela da Princesa Leia. POR QUE DIABOS FAZER UMA TERCEIRA ESTRELA DA MORTE COM UM PONTO FRACO ONDE UMA X-WING ATIRA E EXPLODE A PORRA TODA???? (“Base Starkiller”? Nah… eu sei reconhecer uma Estrela da Morte, afinal JÁ VI OUTRAS DUAS ANTES!!!). Na boa: morri de vergonha alheia, me deu uma enxaqueca fulminante durante o filme, um mal-estar profundo… enfim, uma frustração indescritível, que abafou coisas MUITO LEGAIS do Episódio 7 (todas as cenas da Falcon, as piadas e sacadas hilárias, a atuação de luxo do Harrison Ford, todas as cenas com o BB-8, a cena final com o Luke, a participação genial do 007 como o stormtrooper que leva um Jedi Mind Trick da Rey, e por aí vai). Depois daquela sequência matadora de teasers, trailers e TV spots, que nos encheram de dúvidas e vontade desesperadora de ver logo o filme pra ser apresentado às novidades, percebemos que elas não eram tão novas assim… sorte de quem viu direto o Episódio 7 sem ter visto os outros antes, perdendo com isso umas 3 ou 4 piadas e/ou referências, mas ganhando o ineditismo das soluções de roteiro, sem a broxante sensação de déjà vu a cada 30 segundos.

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Kylo Ren. Putz, esse merece um parágrafo só pra ele: o vilão MAIS MIMIMI de toda a galáxia, fazendo beicinho, soltando a pomba-gira e dando piti cada vez que alguma coisa dá errado foi demais pra minha cabeça! Dá licença, mas não honrou a farda preta e o sabre-de-luz mais irado dos 7 filmes da saga. Ver meu personagem preferido ser morto POR UM BUNDA MOLE DESSES me deixou ainda mais de cara!

E o que dizer da Capitã Phasma, a personagem que eu estava mais curioso pra conhecer? Aquela armadura cromada espetacular, todo o hype em torno da Gwendoline Christie, atriz de 2 metros de altura que matou a pau em Game of Thrones… tchê, A MINA APERTOU UM BOTÃO E DESLIGOU O ESCUDO QUE PERMITIU A EXPLOSÃO DA BASE STARKILLER! Meu, a Capitã do exército mais temido do universo… morre com honras militares (e tenta levar alguém junto) MAS NÃO DESLIGA O ESCUDO, PORRA! Que personagem patético – coitado de quem comprou as action figures dessa songa-monga, que foi parar onde? No compactador de lixo do Episódio IV… detonaram um personagem com um baita potencial SÓ PRA FAZER UMA PIADA INTERNA? Se voltar pros próximos episódios, que moral vai ter?

Nem o vovô-gênio John Williams se salvou – não tem um tema musical novo relevante nesse filme (como foi Duel of Fates, um dos grandes destaques do detestado Episódio I). Os principais momentos de O Despertar da Força são marcados pelas boas (ótimas!) e velhas músicas que todos já conhecemos e identificamos de cara. Bom, pelo menos na cena da cantina mudaram a trilha usada no Episódio IV: trocaram ela POR UM REGGAE!!!!!!). #WTF

A lista de decepções parece não acabar nunca: C-3PO de bracinho vermelho só pra vender as action figures dele neste episódio (não fosse esse detalhe, o boneco seria igual ao dos outros filmes e não venderia – estratégia já usada antes no Watto, o dono do ferro-velho onde trabalhava o Anakin guri. A diferença dele nos Episódios I e II é um chapeuzinho… ou seja, usaram o velho truque)! Maz Kanata… ou a “nova Yoda”: personagem chato, sem sal e que não agrega nada interessante à saga. General Hux… ou o “novo Tarkin”: personagem chato, sem sal e que não agrega nada interessante à saga (viram como o control+C/control+V é irritante?). Resumindo: fui pra casa de cabeça inchada, ao ver que o sonhado O Despertar da Força era praticamente o Uma Nova Esperança de bracinho vermelho e chapeuzinho, pra vender novamente. Me deu insônia e uma vontade incontrolável de berrar: “se era pra fazer isso, VOLTA GEORGE LUCAS”! 😦

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Na noite seguinte, fui de novo ao cinema, agora com a minha esposa Karina e a Carol, sem ter dito pra elas que tinha detestado o filme. Refleti o dia inteiro a respeito, li todas as opiniões que encontrei e cheguei à única conclusão possível, que finalmente me fez relaxar – e se até aqui você estava sentindo o mesmo que eu, relaxe também: O Despertar da Força, apesar de ninguém ter dito isso antes ou admitir isso agora, nada mais é do que UM REBOOT DO EPISÓDIO IV! Só isso justifica tantas “homenagens” no roteiro: a Disney deve ter exigido “a mesma magia de quando Star Wars foi lançado em 1977”, para trazer a boa (maravilhosa!) e velha saga para o século XXI com tecnologia e efeitos modernos, mas a aura original. E isso deve ter sido cobrado ao pé da letra em reuniões da Diretoria da empresa com os produtores do filme. Ou melhor (pior), literalmente: “Rapaziada, o que tinha no Episódio IV que encantou as pessoas e fez o filme virar febre mundial? Estrela da Morte! Cantina! Banda da Cantina! Planeta desértico! Vilão que recebe ordens via holograma do mestre (nãopéra… isso foi do segundo filme… esquece!). Entenderam o que eu quero dizer, né? Com medo de errar, devem ter fuçado no roteiro a tal ponto que em vez do JJ ser obrigado a parir um frankenstein, preferiu fazer um reboot digno, decente, ainda com o DNA de Star Wars. Bando de cagões! Bom, pra quem não sabe, isso é apenas um dia normal de trabalho no Departamento de Criação de qualquer agência de propaganda – “o cliente está pagando, faz o que ele pediu: aumenta o logotipo e põe um splash com a promoção”…

E aí, pensando em um reboot, relaxei… e consegui apreciar mais as coisas boas do filme! Curti ainda mais os rasantes da Millennium Falcon em Jakku; os “diálogos” do BB-8 (a hora que ele retribui o joinha pro Finn é genial!); percebi que o beicinho do Kylo ilustra a imaturidade do personagem, abrindo brecha pros próximos filmes trazerem seu amadurecimento; viajei na interpretação da Rey, tentando entender a rapidez com que aprendeu a manejar um sabre-de-luz, apesar de minutos antes achar que os Jedi eram só uma lenda. E saí mais leve do cinema, sem dar bola para os plots xerocados – afinal, é um reboot, e reboots não podem/devem alterar os plots do roteiro original, confere BB-8?

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Dias depois, acabei indo ao cinema pela terceira vez (como tinha visto legendado, a Carol não conseguiu acompanhar direito a história – então, fomos eu, ela e a Bibi ver a versão dublada). E aí, meus amigos, foi pura curtição! Que furo de roteiro o que – STAR WARS TÁ DE VOLTA, GALERA!!! Terceira Estrela da Morte? Nem notei – tava roubando uma mãozada de pipoca no balde da Carol… e no sorriso das minhas filhas, finalmente me dei conta que não passo de um intruso na relação desta terceira trilogia de Star Wars com seu novo público, do qual minhas filhas fazem parte (uma “Nova Esperança” de preservar essa paixão louca e incompreensível que as outras gerações tiveram pela saga). Foi pra elas que Star Wars voltou, com protagonista mulher, herói negro e tudo mais que fala a mesma língua dessa tchurminha. E se há elementos parecidos (iguais?) aos da saga original, parabéns ao gênio que soube usar, naquela época jurássica, uma linguagem universal e atemporal, que ainda consegue cativar hordas de fãs após tantos anos.

Será Snoke o mesmo Darth Plagueis, o mestre Sith que sabia “criar vida” supostamente morto por Palpatine? Terá Rey usado a Força sob influência mental de Luke, emanada via WiFi-Jedi lá da ilha? Aliás, será que ela é filha de Luke, de Obi-Wan ou irmã gêmea do Kylo, separada dele no nascimento? (hmmm… acho que já vi isso ant…bom, deixa pra lá!). Dúvidas e mais dúvidas com data certa pra serem solucionadas: 25 de maio 15 de dezembro de 2018***, em pré-estreia, na sessão da 00h01min – vocês eu não sei, mas eu estarei lá com minha esposa, minhas filhas e nossos baldes de pipoca, ansiosos por mais duas horas e meia de curtição (gurias… WE´RE HOME!!!)! [***mudaram a data – entre os motivos, estão reescrevendo o roteiro porque, segundo os produtores, “ESTAVA FICANDO MUITO PARECIDO COM O IMPÉRIO CONTRA-ATACA”… bah, fala sério! 😦 ]

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A noite

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Engraçado como sempre me senti bem de noite. Desde pequeno, desenhando até tarde… como se ela me inspirasse! Por causa desta cumplicidade nem tinha ideia ainda de como a noite influenciava as mentes mais jovens. Demorei a sair, não concebia pedir o dinheiro suado de minha mãe para sair… para sequer beber. Até poder garantir minhas necessidades e meus vícios se passou algum tempo. Comecei a ser um amante da noite meio tarde em minha vida, já com 22 anos passados. Já era velho demais para cair no seu canto de sereia, mas inquieto o bastante para aceitar seus desafios. Topei alguns… abri mão de outros… me mantenho vivo neste meio termo.

De lá pra cá já se vão alguns anos! Mais encontrei do que perdi amigos na noite. Alguns bons o suficiente para terem seu lugar ao sol… já outros insistentemente me encontrando nos desmandos da madrugada. A noite me ensinou a beber, a chegar em mulher, a falar mal da luz e a conhecer seus cúmplices. Alguns só querem se esconder do dia, já outros querem se esconder da vida. Incrível como as pessoas se desnudam depois do pôr-do-sol. Mas ao contrário da crendice popular não são gatos pardos! São almas com todas as cores possíveis: o bege da apatia… o cinza da culpa… o vermelho da dor e até mesmo o dourado do amor e o azul da esperança!

Alguns dormem cedo demais ou vêem TV demais e envelhecem sob a luz sem sequer perceberem o imenso universo que se esconde em uma simples sombra de noite de lua cheia.

Amante, madrasta, ingrata, vadia… cada um rotula a noite como lhe convêm… mas ninguém diz que esta morta. Dizem que é na luz que crescemos, mas no nosso âmago temos a certeza que é a cada noite que renascemos.

Quando a referência vira o trabalho

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Dia destes vendo um anúncio para vaga de Diretor de Arte me deparei com a seguinte exigência:

“Buscamos alguém que não fique perdido quando cai a internet!”

Para quem é das antigas o pedido chega a ter um gostinho de vingança pois deixa claro que a internet acabou se tornando uma muleta ao invés de ser vista como ela realmente deve ser encarada: mais uma ferramenta – como outras tantas – no apoio ao processo criativo.

Desde sempre, estar atento e saber onde buscar as melhores referências é fundamental para ter um produto criativo diferenciado. Na criação pré-internet para se ter referências do que acontecia de importante fora do nosso quintal a coisa era bem complicada: era preciso importar anuários e revistas, assinar a Archive, conseguir as fitas oficiais de Cannes com o short-list dos filmes e ainda aproveitar aquela viagem (sua ou de algum amigo ou parente) para fora do Brasil para trazer quilos de material gráfico (desde folhetos e revistas até embalagens).

Hoje, toda e qualquer referência está a um clique de nós. Claro que isso é uma maravilha quando bem usado, mas com a facilidade veio também a dependência e a internet acaba se tornando a única ferramenta de referência para muitos criativos. Assim, algoritmos de relevância, trending topics e outras formas de categorizar a informação na internet acabam “ditando” e “padronizando” as referências que chegam até estas pessoas. Nestes casos “não saber procurar” acaba sendo pior do que “não procurar”.

Por isso é importante ter critério para escolher e usar as referências necessárias sem perder o foco. Em alguns trabalhos esta perda de foco acaba fazendo da referência o trabalho em si. E uma situação destas pode acontecer até mesmo em corporações com vasto know-how em sua área como aconteceu com a Rede Globo na abertura de suas duas últimas novelas das 21h, Amor à Vida e Em Família (clique nos nomes para ver uma análise detalhada de cada abertura no blogtelevisual.com). No primeiro caso se contrata um profissional para ele reproduzir exatamente um trabalho autoral anterior. Já no segundo a criação se baseou (sic) no template de vídeo comercial de uma empresa australiana, que pode ser adquirido por meros 30 US$ por qualquer pessoa. Isso para não comentar quando há malícia e o uso mal-intencionado de referências como mostrado no site www.logothief.com que pesquisa e compara exemplos reais do uso em 100% da referência, ou seja, escancara a “chupada”.

Por tudo isso achei interessante a exigência da agência, pois é preciso primeiro pensar o trabalho de maneira mais pessoal e independente, analisando as necessidades reais do briefing e criando uma espinha dorsal para o trabalho. Após se ter esta base fica muito difícil uma referência sobrepujar o conceito original.

No final das contas ainda acredito piamente que nada melhor do que um tempo a sós com a folha A4 e um lápis para dar o pontapé inicial em qualquer processo criativo.

O bom senso que falta na CBF

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“… informo que foi respeitado um minuto de silêncio pelas vítimas da tragédia das Filipinas!”
Francisco Carlo do Nascimento – Árbitro de Grêmio X Vasco

“… homenagem antes do início da partida através de um minuto de silêncio ao Sr. Elder de Lima Chagas, conforme solicitação do documento apresentado pela Federação Bahiana!”
Paulo Godoy Bezerra – Árbitro de Vitória x Cruzeiro

“… foi respeitado um minuto de silêncio em homenagem póstuma ao Sr. Mauricio Assunção, genitor do presidente do Botafogo!”
Emerson de Almeida Ferreira – Árbitro de Botafogo x Portuguesa

Acima apenas 3 das citações feitas em súmula por árbitros que atuaram na 34ª Rodada do Campeonato Brasileiro de 2013. Todas dentro de contexto em circunstâncias normais, mas o que ocorreu nos jogos da rodada foi tudo menos normal. Nesta rodada o Bom Senso F.C. promoveu uma manifestação pacífica a ser feita no ínicio das partidas e que consistia nos jogadores ficarem por 30 segundos de braços cruzados. Nada de discurso político, ações agressivas ou atos excessivos. Apenas a representação da força que um cruzar de braços tem.

Nada acontece.

E quem dirige o nosso futebol sentiu o baque. Sentiu a ponto de organizar uma campanha de desinformação e ocultamento envolvendo a Comissão de Arbitragem e as Federações Regionais para evitar que as manifestações do Bom Senso F.C. ganhassem reconhecimento oficial pelo menos em documentos da CBF. Assim todas as súmulas relataram as partidas como se nada tivesse acontecido.

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Ignorar e evitar que uma ação contrária aos seus interesses ganhe contornos oficiais é uma antiga tática que o atual presidente da CBF (e também antigo Governador Biônico da ditadura em SP) conhece muito bem, afinal manter o assunto a margem dos canais oficiais favorece o discurso de que ainda não há um posicionamento formal dos descontentes e que por isso não há como se posicionar perante suas propostas.

Assim os detentores dos canais oficias se colocam na posição de estarem sempre com as “portas abertas” para o debate quando o que querem na verdade é ganhar tempo e achar meios de sufocar o movimento contrário.

Para quem está no poder este tipo de manobra se torna essencial quando as pessoas que compõem o movimento contrário são peças importantes no cenário geral de seus interesses. Afinal não há futebol sem jogadores e a CBF sabe disso. Não há como substituí-los e enfrentá-los seria abrir um debate que não é de seu interesse e muito menos de sua maior associada, a Rede Globo, que é detentora dos direitos de transmissão do futebol no Brasil.

O que a entidade parece ignorar é que a informação já não depende mais exclusivamente de canais oficiais para sobreviver e ser passada adiante. A internet com seus fóruns de discussão, redes sociais e blogs ou meios de comunicação digitais independentes da mídia de massa replicaram a manifestação do Bom Senso F.C. a exaustão nos últimos dias. A manobra das súmulas deixa claro que os cartolas da CBF querem ganhar tempo a todo custo, pois faltam 3 rodadas para o fim do Brasileirão e eles acreditam que o movimento deva se esvaziar logo que começar o recesso de final de ano no futebol.

Mas até o calendário joga contra a CBF e sua pressa, pois as últimas 3 rodadas serão jogadas apenas aos fins de semana, deixando muito tempo para os líderes do Bom Senso F.C. se mobilizarem entre uma partida e outra. E o grupo já mostrou sua capacidade de mobilização até mesmo diante de fatos inesperados como a ameaça do árbitro Alicio Pena Júnior de dar cartão amarelo a quem cruzasse os braços em protesto no jogo de São Paulo X Flamengo.

O que se viu foi histórico.